domingo, 11 de janeiro de 2009

Cantinho do Mobral. Fez que ia, acabou não fondo


Pesquei no kibeloco.

A cobertura do conflito em Gaza, segundo o Ombudsman da Folha

Deu hoje na Folha.

Guerra de opiniões sobre a guerra
Desde que o jornal assegure que vários lados tenham sua posição publicada de modo equilibrado, ele estará cumprindo sua tarefa
Carlos Eduardo Lins da Silva

A COBERTURA que a Folha está fazendo do confronto entre Israel e Hamas motivou 136 leitores a se dirigir ao ombudsman para manifestar-se sobre ela. É o maior número de mensagens recebidas sobre um assunto em quatro meses.A maioria foi em reação a textos opinativos: 24 ao de João Pereira Coutinho, 11 à coluna de Sérgio Malbergier na Folha Online (ambos favoráveis a Israel) e 16 à de Clóvis Rossi (crítico dos israelenses).

Não há muito que o ombudsman possa fazer quando o leitor se dirige a ele para se queixar de opiniões de que discorda. O ombudsman historicamente não trata da opinião de colunistas ou mesmo do jornal.Porque opinião é uma questão parecida com religião. É muito difícil provar que uma é "certa" e outra "errada". É algo que entra no terreno das convicções, dos valores pessoais.O ombudsman tem de se ater aos aspectos técnicos do jornalismo, ao factual, ao comprovável, ao verificável, para não cair nesse terreno pantanoso das opiniões.

Desde que o jornal assegure que os vários lados em disputa tenham sua posição publicada de maneira mais ou menos equilibrada, ele estará cumprindo sua tarefa de fomentar o debate público. Creio que a Folha tem agido desse modo nestas duas semanas.

Alguns leitores pediram a minha opinião. Na condição de ombudsman, minha opinião sobre os fatos é irrelevante. Revelá-la publicamente, inclusive, atrapalharia o meu trabalho porque qualquer crítica técnica que eu fizesse depois disso poderia ser interpretada como se eu estivesse me valendo dela como instrumento para favorecer a minha posição individual.

Depois das opiniões, as fotos de crianças foram o ponto lembrado por maior número de leitores: 31, dos quais apenas 3 defenderam a sua publicação. Já tratei desse aspecto na semana passada e mantenho minha posição de que, por enquanto, o jornal tem agido dentro de parâmetros aceitáveis, sem descambar para a morbidez ou sensacionalismo.

Além da manutenção do apartidarismo, o melhor da cobertura do conflito tem sido a atuação do seu enviado especial. A correspondência de guerra é uma das mais difíceis tarefas do jornalismo, especialmente quando uma das partes limita a mobilidade dos repórteres, como faz o governo israelense, que os impede de entrar em Gaza.

Mas o correspondente pode, como o da Folha tem feito, oferecer ao leitor uma perspectiva que lhe interesse de fato, por conhecer bem a maneira de pensar do seu público e por trazer informações que dizem respeito ao Brasil e a brasileiros.

O melhor correspondente, como mostra Evelyn Waugh no genial romance indicado abaixo, é aquele que escreve como se redigisse cartas para a família, alertando-a para os pontos que ele sabe que vai chamar sua atenção.

A cobertura não está livre de falhas. É incompreensível e injustificável a ausência de textos dos correspondentes do jornal nos EUA. As iniciativas diplomáticas brasileiras têm sido bem noticiadas mas pouco analisadas. Até sexta, só um artigo de fundo e nenhuma entrevista de fôlego tentaram destrinchá-la. Não se tem dado, a meu ver, a importância devida ao papel do Irã nesse conflito. A edição tem sido desleixada no que se refere a remissões a outras páginas do jornal onde o assunto é tratado fora das do noticiário.

No geral, no entanto, o jornal tem feito um bom trabalho neste caso.

O ombudsman e o "anti-lulismo"

Hitler, Churchill, Obama, Lula e a relação entre físico e política
Carlos Eduardo Lins da Silva

Adolf Hitler tinha 1,73 m e 78 kg. Winston Churchill era mais baixo (1,70 m) e muito mais gordo (mais de 100 kg). Vistos à distância, sem camisa, o alemão causaria impressão mais favorável que o inglês à maioria das pessoas.É plausível afirmar que a maioria das pessoas também daria a Churchill avaliação bastante superior à de Hitler como líder nacional nos anos 1940.

Não há relação razoável entre forma física e desempenho político, administrativo ou de qualquer outra espécie que seja de interesse público. Na terça-feira, no entanto, a seção Folha Corrida teve a ideia de editar, juntas, fotos do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, e do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em passeios à beira-mar vestidos apenas com calção de banho.

O leitor Fábio Henrique Gomes considerou a comparação "ridícula". Disse ler a Folha há décadas e não lembrar de "algo tão grotesco por sua inutilidade e preconceito". Concordo.Há muitas razões para o jornal exercer o seu direito (e dever) de criticar o presidente da República. Sua aparência física não está entre elas.

Deu hoje na Folha.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A polêmica capa da Folha


Leitores da Folha criticaram - e muito - a capa da Folha de ontem. E você? O que acha? Apelaram? É válida por mostrar os horrores de uma "guerra" estúpida?
O que os leitores escreveram:
"Todos estamos vendo e sentindo os horrores da guerra entre israelenses e palestinos, e parece que a Folha contratou o editor do antigo "Notícias Populares" para fazer a Primeira Página.O jornal poderia poupar-nos de ver o sofrimento, deixando de publicar a foto tão chocante da edição de ontem.E, para completar, ainda coloca uma imagem de três crianças brasileiras chorando desesperadas. Para que tudo isso?" CLAUDIR JOSÉ MANDELLI (Tupã, SP)

"Abominável a Primeira Página da Folha de ontem.Abominável a atitude de Israel, sem dúvida nenhuma. Mas um jornal que entra na casa de seus leitores não precisa apelar para o sentimentalismo, expondo crianças e adultos desse modo.Eu não gostaria de ver a foto de minha filha morta, por qualquer que fosse o motivo, na capa de um jornal de um país que nem conheço -nem em meu próprio país.Expor assim o sofrimento alheio resolve o problema de alguém? Em que pensam os editores da Folha?Em ajudar aquele povo ou em vender mais jornal?" GILDA POMPÉIA (Cotia, SP)

"Fiquei abismada com a capa da Folha de ontem, que mostrou uma criança achada nos escombros de uma casa em Israel. A escolha foi de extremo mau gosto. Aliás, nos últimos dias, com o intuito de chocar os brasileiros, o jornal tem explorado bastante as fotos de pessoas que estão sofrendo com essa guerra. Por quê? Para vender mais? Pelo amor de Deus, o que irão publicar amanhã? Uma imagem de um corpo sem os membros? Como posso deixar esse jornal em casa? Se nós, adultos, estamos incomodados e nos sentimos invadidos, o que se passa dentro da cabeça de uma criança ao ver essas imagens?" PATRÍCIA MARA ARANTES (São Paulo, SP)
"Imagino que a Redação da Folha tenha amanhecido ontem sob uma enxurrada de e-mails altamente estarrecidos e contrários à veiculação da foto da menina achada sob escombros em Gaza. Eu penso que a notícia tem de ser divulgada e, por que não dizer, "explorada" do modo como ela de fato acontece. É preciso mostrar a realidade e trazer a verdade nua e crua de diversas maneiras, nem que isso desagrade a muitos e a torne uma notícia sensacionalista. O jornal, na minha concepção, agiu de forma correta ao dar a ênfase e a importância necessárias ao caso. E, principalmente, ao conseguir chamar a atenção da opinião pública para que reflita sobre essa terrível e lamentável situação em Gaza." FILIPE LUIZ RIBEIRO SOUSA (São Carlos, SP)
"A fotografia da menininha palestina morta pelos bombardeios israelenses em Gaza, na manchete da Folha de ontem, vale por mil palavras. Causou-me grande emoção, sobretudo de tristeza e de revolta. O que se poderia dizer sobre tamanha infâmia, covardia e crueldade sem limites cometidas contra civis inocentes?" RENATO KHAIR (São Paulo, SP)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Tititulo para gagago!



Deu hoje no Meia Hora. Esses doidos estão se superando.

E se o morto fosse mudo?

Na mesma capa, o jornal traz uma chamada sobre a matéria publicada na revista piauí sobre o Meia-Hora.

O antetítulo: "Compra lá! Dá uma força pra eles!"

O título: "Revista de bacana baba o ovo do Meia"

O subtítulo: "Jornalista da piauí visita redação para contar aos leitores ricos e famosos como é feito o jornal que faz mais sucesso nas bancas do Rio"

domingo, 4 de janeiro de 2009

Conflito Israel e Palestina e as imagens que chocam




Já editei um "JL Méier" da FACHA sobre o assunto, destaque hoje do ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, em sua coluna. Vale a pena ler. Boa reflexão.

Quando é preciso chocar sem morbidez

Fotografias chocantes podem ajudar a manter vivos na memória coletiva horrores inomináveis e, com isso, dificultar a ocorrência de similares

DESDE O CASO da morte de Isabella Nardoni, em abril, o ombudsman não recebia tantas mensagens sobre um mesmo assunto numa semana, como nesta, de Ano-Novo, sobre o conflito entre Israel e palestinos.

Como é natural, com grande carga de emoção em todas e clara divisão entre as que veem no jornal proteção para um ou outro lado.

Dois leitores se queixaram de fotos de crianças mortas. Zuleika Haddad perguntou: "Por que a Folha precisa estampar foto de uma menina de 4 anos em seu funeral?". Geraldo Pietragalla Filho argumentou que as fotos "em nada contribuem para a compreensão dessa guerra insana; são manifestações mórbidas".

A morbidez deve ser evitada a todo custo, e o jornal precisa tomar muito cuidado com isso. Não acho que tenha esbarrado nela por enquanto.

Imagens fotográficas chocantes podem servir a propósitos humanitários e ajudar a manter vivos na memória coletiva horrores inomináveis e, com isso, dificultar a ocorrência de similares.

Como as dos prisioneiros dos campos de concentração de Auschwitz e Dachau, das deformidades provocadas em crianças pela poluição na baía de Minamata, das torturas impostas a prisioneiros iraquianos por soldados dos EUA em Abu Ghraib, dos efeitos de bombas de napalm sobre civis sul-vietnamitas, como a garota Kim Phuc, na foto acima, feita por Nick Ut, em 1972.

Não é agradável ver essas cenas. Mas às vezes é indispensável.

Quanto à cobertura em palavras do que vem ocorrendo em Gaza, a Folha começou muito mal. No sábado, enquanto os primeiros ataques aéreos ocorriam e prenunciavam o que viria, o jornal circulava com a avaliação de que a expectativa era a de que as tensões arrefecessem depois de Israel ter permitido a chegada de medicamentos e alimentos a Gaza.

Foi o contrário que ocorreu. Nunca é bom para um jornal antecipar algo e ocorrer o oposto. Mas faz parte dos riscos desta atividade.

O importante é que a Folha entendeu logo a importância dos fatos e melhorou muito ao longo da semana no seu acompanhamento. Na segunda, já estava na fronteira de Israel com Gaza seu enviado especial, que tem oferecido ao leitor o que só um jornalista do próprio veículo consegue fazer: mostrar os acontecimentos da perspectiva de real interesse do público específico.

A preocupação com o equilíbrio tem sido ostensiva. Sempre saem artigos em defesa dos dois lados em espaço comparável, descrevem-se as condições de vida dos habitantes das duas áreas (apesar da proibição à entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza), o texto de Adrian Hamilton, do "Independent", na sexta, sobre as causas do conflito, é exemplarmente isento.

Ainda falta muito a fazer, inclusive analisar com mais profundidade as posições do governo brasileiro e suas pretensões. Não será possível agradar a todos os leitores. Mas o caminho que o jornal vem seguindo é o certo.

Antologia do colunismo. Olha a pamonha!



Deu hoje na coluna "Painel", da Folha.

Reforma ortográfica em três visões



A reforma ortográfica na coluna "Por dentro do Globo"; na charge de Jean, na Folha e no recado de Arnaldo Bloch.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Os bastidores da redação do Globo na virada do ano



Meu camarada Jorge Antônio Barros registrou em vídeo (em três partes) o trabalho dos "coleguinhas" do Globo no dia 31 de dezembro. Do balacobaco. Quer ver a primeira parte? É só clicar aqui. Quer ver as outras partes? Vá lá no blog "Repórter de Crime".
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/

Assisti tudinho e matei as saudades.

IMPERDÍVEL PARA QUEM NUNCA VISITOU A REDAÇÃO DE UM GRANDE JORNAL.

Cantinho do Mobral: "extruturado"! Nem na nova ortografia



Pesquei no kibeloco. Deu no Diário de Natal.

Livro sobre "a boa" Veja na Folha



A Folha de S. Paulo de hoje traz uma nota na coluna "Vitrine", no caderno "Ilustrada", sobre o livro "Veja sob censura", que destaquei em post abaixo. Já acabei de ler. Boa dica.

Nada se cria, tudo se copia - 2





Faltou dizer*: meu camaradinha Ary Moraes, sempre atento, destacou em sua coluna na revista Imprensa (de dezembro) a capa do jornal De Morgan, que copiou uma belíssima página dos bons tempos do Correio Braziliense.

Meus alunos de Secretaria Gráfica vão lembrar. Sempre cito e mostro em minhas aulas. Como o jogo Brasil e Inglaterra na Copa de 2002 aconteceu de madrugada, o Correio criou uma capa com as duas opções de resultado do jogo. Bela sacada. E bonita!

*O pessoal da revista Imprensa tem me enviado uma "cortesia especial" da revista. Só que demora a chegar. Por isso os comentários atrasados. Alô alô, Rodrigo Manzano: não dá pra mandar antes?

Dica de livro: "O olho da rua", de Eliane Brum




Não li - e gostei. A revista Imprensa de dezembro publicou uma bela resenha do Rodrigo Manzano sobre o livro.

Escrevi o comentário acima ontem (sábado), de manhã. À tarde, comprei o livro. Hoje é domingo, 12h10, só agora consegui parar de ler - na página 170. Que livraço!!! Como escreve essa moça! Uma aula de Jornalismo. Vai ser tema de conversa com os alunos no reinício das minhas aulas.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Os riscos da "multifunção" na Reportagem



Deu no jornal "LIDÃO", do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Vale uma reflexão.

Meia Hora na piauí




A revista piauí de janeiro já está nas bancas. Além de uma entrevista exclusiva do Lula, traz uma matéria do Roberto Kaz sobre o jornal Meia Hora. Quer ler mais? Vá comprar a sua.

Alô alô, meus amigos da piauí: a minha revista veio com defeito de montagem. Mandaram duas páginas com a foto do Lula. Não sou antipetista histérico, mas também não sou Lulista fanático.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Dica de livro: "1968-1976 Veja sob censura", de Maria Fernanda Lopes de Almeida





Descobri por acaso no jornaleiro da Rodoviária Novo Rio. Ainda não vi nas livrarias e não achei no buscapé. Já passei da metade. Vale a pena ler. Principalmente os estudantes de Jornalismo. A autora ilustra com as imagens de laudas de matérias censuradas na própria redação da revista. Tem também a capa da primeira matéria vetada, sobre o AI 5.

Importante: era uma OUTRA VEJA. Não creio que bufões como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi tivessem espaço para escrever.

Nada se cria, tudo se copia




Na foto 2: homem finca bandeira do grupo Hamas ao lado de mesquita destruída na cidade de Gaza pelos bombardeios aéreos israelenses.

Deu hoje na Folha de S. Paulo.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Para entender o que está acontecendo em Gaza. Robert Fisk



Deu hoje no Globo. Bob Fisk é dos bons. Não é daquele time de Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Olavo de Carvalho e cia.