quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ah se Stanislaw* fosse vivo!: Infraero assalta motorista e atropela a gramática

Deu no blog do meu camarada Ancelmo Gois. "Que desagradável!", como diria meu ex-aluno João Guilherme, hoje na Fox TV.

Infraero peca até no português

Repare a grafia de "Setenta" na nota da Infraero
Um amigo do blog, Cacau Barcelos, se arrependeu de ter deixado o carro dormir uma noite no estacionamento do Aeroporto Internacional Tom Jobim. Trinta horas custaram a bagatela de R$ 72,00. Doeu no bolso, mas o pior foi descobrir o erro na grafia de "Setenta" no recibo mal manuscrito por um funcionário da Infraero.
-- Sinta o drama de ser brasileiro -- comentou Cacau, envergonhado por ter que apresentar a nota para seus sócios americano e chileno.

* Stanislaw Ponte Preta, criador do Febebeapa (Festival de Besteiras que Assolam o País).

Ah se Stanislaw* fosse vivo!: internaram a gramática


Direto do facebook.

* Stanislaw Ponte Preta, criador do Febebeapa (Festival de Besteiras que Assolam o País).



segunda-feira, 25 de junho de 2012

O homem que sabia tudo. Menos sobre Watergate

Mais uma "cronicaça" do Mestre Ruy Castro. Também conhecia figuras mais ou menos assim lá no Globo.


Farejando Watergate

RIO DE JANEIRO - Certa vez, trabalhei com um homem que sabia tudo: R. (Raimundo) Magalhães Jr.. Foi na "Manchete", de 1970 a 1973. Além de jornalista, Raimundo era autor de livros sobre a vida e obra de Machado, Alencar, Bilac, Augusto dos Anjos, João do Rio -mais obra do que vida- e de "Rui, o Homem e o Mito", que demolia Rui Barbosa. E era também da Academia Brasileira de Letras. Normal, naquele tempo, a Redação da "Manchete" contar com um sólido acadêmico.

Quando entrei lá, tinha 22 anos e Raimundo, 63, mas me acolheu como um igual. Sem perceber, eu e Carlos Heitor Cony, que nos sentávamos às suas costas, o fumigávamos de 9 às 6 com nossos cigarros, para suplício de Raimundo, que acabara de encerrar sua carreira de 50 anos como fumante. Ele gostava de contar como, trabalhando em NY na Segunda Guerra, visitara Marlene Dietrich, que se orgulhava mais de seu macarrão do que de ter filmado "O Anjo Azul". Raimundo provou o macarrão de Marlene e concordou.

Numa Redação de grandes nomes, era a ele que eu recorria quando não sabia quem era alguém ou o significado de algo em inglês, como "the real McCoy". Raimundo ensinava e dizia que a expressão nascera de uma peça americana do século 19, em que havia um verdadeiro e um falso McCoy. E ainda dava a ficha da peça.

Até chegar o dia, nessa exata época do ano, em 1972, em que uma pergunta minha o embatucou. Eu traduzia as crônicas de Art Buchwald na "Manchete" e, numa dessas, Art fez uma vaga referência a Watergate. Deu-me um branco. Fui a Raimundo. E ele também não sabia.

Na verdade, quase ninguém sabia. O próprio Buchwald apenas ouvira falar de um arrombamento na sede do Partido Democrata, no edifício Watergate, em Washington, no dia 17 de junho, e farejara um rato. Logo todos saberíamos o que era Watergate e quem eram os ratos.

domingo, 24 de junho de 2012

Ombudsman da Folha de S. Paulo comenta decisão do jornal de cobrar pelo conteúdo

Deu hoje na coluna da Suzana Singer, ombudsman da Folha. (Ver post abaixo).


'Nós não vamos pagar nada...'
Folha decide cobrar pelo acesso ao site, mas precisa melhorar o noticiário para convencer os internautas


Uma onda de reclamações se seguiu ao anúncio de que a Folhapassa a cobrar pelo acesso ao conteúdo digital. Muita indignação ("Cobrar vai contra o espírito livre da internet"), ironia ("Fui..."), crítica ("Do jeito que anda o site, vai ser difícil gastar as 20 clicadas") e até tiradas românticas ("Vou sentir falta desse espaço, uma pena terminar assim, sem nenhum afago") foram usadas pelos leitores que ameaçam se divorciar da Folha na web.

Desde quinta-feira, o acesso digital é contado. Quem passar de 20 textos por mês será convidado a fazer um cadastro. Se chegar a 40 links, terá que pagar (R$ 1,90 no primeiro mês, R$ 29,90 nos seguintes).

É o tal "paywall", muro de cobrança poroso, em que se restringe o acesso, mas sem rigor. Alguma navegação gratuita é permitida: no caso da Folha, além dos 40 textos por mês, seções como a capa (home) e o "Guia" não entram na contagem. É uma estratégia para buscar uma nova fonte de receita sem diminuir drasticamente a audiência, já que ela garante os anúncios.

Desde que o "New York Times" implantou essa cobrança, em março de 2011, o modelo "poroso" vem sendo discutido por jornais de todo o mundo. A razão é simples: a receita de publicidade na internet, diferentemente da TV aberta, não é suficiente para cobrir os custos.

Se o motivo é nobre, a revolta dos internautas também é compreensível. Acostumados a se informar de graça na rede e incomodados com um monte de anúncios que saltitam sobre a tela, não entendem por que devem colocar a mão no bolso.

A audiência na internet é dispersa, fluida, provavelmente a expressiva maioria dos visitantes do site da Folha nem vai dar com a cara no "muro de cobrança", porque consome pouquíssima notícia.

Entre os que atingirem a cota de 40 textos por mês, só os realmente comprometidos com o jornal aceitarão pagar. Não é difícil imaginar formas de burlar o "paywall", mas a experiência com iniciativas semelhantes -download de músicas, por exemplo- mostra que uma parcela considerável não se incomoda em gastar, desde que não seja muito.

Para esse grupo menor mas fiel, o jornal precisará oferecer conteúdo de qualidade superior à que o site tem hoje. Para ler pequenos informes sobre o que aconteceu nas últimas horas, em textos mal-ajambrados, ou para saber das fofocas mais recentes sobre celebridades do "mundo B", ninguém precisa gastar um centavo, há uma oferta enorme de sites e blogs gratuitos na rede.

Neste momento, o desafio da Folha é mostrar que um noticiário bem-feito custa caro, mas que vale a pena financiá-lo.

'Qualidade custa caro'
O editor-executivo Sérgio Dávila responde aos questionamentos dos leitores sobre o "paywall":

Por que cobrar pelo digital?
A ação serve à estratégia de unificar as operações impressa e digital. Além disso, a Folha é pioneira no Brasil de um modelo mundial, inaugurado pelo "paywall poroso" do "New York Times", e dá um passo necessário na rediscussão do modelo de negócios por que passa a indústria de comunicações no mundo inteiro.

Os anúncios no site não são suficientes para cobrir os custos?
Não.

A cobrança não vai contra o espírito livre da internet?
Fazer jornalismo de qualidade é caro. No impresso, ele é bancado por assinaturas, venda em banca e publicidade. Não há por que ser diferente no modelo digital, ou as contas não fecham.

Como evitarão que os internautas migrem para sites gratuitos?
Para o internauta eventual, que lê até 40 textos/mês, a Folha vai oferecer o conteúdo de sua versão impressa, que era inacessível. Não achamos que sites de notícia gratuitos sejam nossos concorrentes.

A cobrança significará um salto de qualidade no site da Folha?
Sim. Há cursos em andamento para melhorar a qualidade dos textos produzidos para a plataforma digital. A Redação passa por aprimoramento periódico.

Saiba o que é "paywall" ou muro de pagamento poroso

Também deu hoje na Folha. Boa reflexão. Como sou assinante, não vai me afetar. (Ver post acima)


Jornais correm para cobrar na internet, afirma analista
Para Ken Doctor, cobrança por conteúdo permite manter publicidade e crescer
Eugênio Bucci diz que é 'fundamental' para os jornais que a receita venha do usuário e não apenas da publicidade
DE SÃO PAULO


Na última quinta-feira, a Folha passou a cobrar pelo acesso frequente a seu site, no modelo conhecido como "paywall" ou muro de pagamento poroso. Permite agora a leitura gratuita de 40 textos por mês; a partir daí, é restrita aos assinantes.

Segundo o consultor Ken Doctor, do Nieman Journalism Lab, da Universidade Harvard, 800 jornais americanos e europeus "ou já têm 'paywall' ou planejam ter até o início do ano que vem", em rápida adoção que ele qualifica como "fenômeno".

O movimento foi acelerado pelo êxito do modelo poroso adotado há um ano pelo "New York Times". Doctor diz que o sucesso do jornal e de outros que o acompanharam pode ser medido não só pela nova receita, mas por ter mantido os acessos.

"Dois, três anos atrás, o maior temor era que o 'paywall' cortasse o crescimento digital, com perda de audiência e publicidade", diz. "O que aprendemos no processo é que, especialmente com o sistema poroso, em que a maioria das pessoas nunca atinge o limite, nunca fica nem sabendo que existe 'paywall', você pode manter seu negócio de publicidade no lugar e crescendo."

Doctor observa que o "paywall" poroso "é na verdade o modelo do 'Financial Times'". Adotado cinco anos atrás, ele é descrito por Rob Grimshaw, diretor executivo do FT.com, como "definitivamente um sucesso" para o jornal londrino, que acumulou 285 mil assinantes digitais e segue crescendo.

"Não estamos longe da circulação impressa, no momento de 320 mil exemplares", diz Grimshaw, adiantando que a projeção é passar à frente "em algum momento dos próximos 12 meses".

Antes disso, até o fim do ano as "receitas com conteúdo", somando circulação digital e impressa, devem ultrapassar as receitas com publicidade, também somando digital e impressa.

"Se você olhar onde estávamos há dez anos, quando 80% das receitas vinham da publicidade impressa, nós transformamos todo o negócio", afirma.

Para Caio Túlio Costa, executivo de comunicação e consultor para assuntos digitais da Associação Nacional de Jornais (ANJ), o sistema "funcionou bem, começou muito bem", até porque o jornal "já tem experiência grande com o UOL", empresa controlada pelo Grupo Folha.

Ele observa que, "neste momento em que se busca rentabilizar a internet, a Folha optou por uma tendência seguida no mundo inteiro".

Eugênio Bucci, professor da USP e diretor do curso de pós-graduação em jornalismo da ESPM, comenta que a adoção de "pagamento do trabalho jornalístico pelo cidadão" tem impacto nos campos econômico e institucional.

"É fundamental para a independência editorial das empresas que a receita venha do usuário e não só da publicidade", diz. "No conjunto, a instituição da imprensa sempre combinou os dois."

sexta-feira, 22 de junho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012

"semSemente", revista dedicada à maconha, é lançada no Brasil

Deu hoje na Folha.


Revista dedicada à maconha incentiva o cultivo caseiro
Recém-lançada, 'semSemente', primeira publicação do gênero no país, defende a regulamentação da erva
Cultivo caseiro inibiria o tráfico, afirmam criadores da revista; conduta é crime, sujeito a penas alternativas
MORRIS KACHANI
DE SÃO PAULO


A "cultura canábica" - o universo em torno do consumo e do cultivo caseiro da maconha-acaba de ganhar um veículo para se expressar no Brasil. Com 10 mil exemplares, periodicidade bimestral e 64 páginas, chegou às bancas neste mês a "semSemente", primeira revista especializada em maconha no país.

Os editores, Matias Maxx, 31, e Wiliam Lantelme, 36, são os primeiros organizadores da Marcha da Maconha, realizada desde 2007.

A previsão era que o título chegasse às bancas há um mês, na marcha do Rio, mas a gráfica que iria imprimir os exemplares desistiu, temendo problemas com a Justiça.

Além do debate político, a revista traz reportagens sobre o cultivo caseiro da droga, HQs, receitas com a erva e eventos como a Copa Canábica, em que cultivadores apresentaram suas extrações, em local secreto em SP, em maio.

"O projeto é antigo. A certeza de que a publicação vingaria sempre conflitou com a paranoia da repressão imediata", diz Maxx. A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2011, excluindo a interpretação que via apologia em atos como a Marcha da Maconha, abriu o caminho.

A mais tradicional publicação do gênero é a "High Times", dos EUA, criada em 1974. Há também revistas na Argentina e no Chile.

As duas grandes bandeiras da "semSemente" são a regulamentação da maconha e o incentivo ao cultivo caseiro, de preferência com hidroponia (com água e sem terra).

Pela argumentação, o cultivo caseiro inibiria o tráfico e ainda proporcionaria uma melhor qualidade da erva.
"O fumo que se compra nas ruas hoje (...) é mal cultivado e cheio de impurezas. Tem amônia e outras substâncias", diz Lantelme, que fuma 30 gramas por semana (ou cerca de 50 cigarros).

DEBATE

Hoje, o porte e plantio para uso pessoal é passível de penas alternativas. Prisão, não mais. Porém a conduta ainda é considerada crime.

A comissão de juristas do Senado que debate a reforma do direito penal apresentou em maio uma proposta de descriminalizar o usuário.

A autora da proposta, a defensora pública Juliana Belloque, afirma que se baseou em uma tendência mundial e na necessidade de reduzir o número de prisões de usuários por tráfico. "Mas descriminalizar o uso não significa regulamentar. Estamos propondo um passo mais tímido."

Para o jurista Ives Gandra Martins, permitir a descriminalização ou iniciativas como a revista e a Marcha da Maconha é um equívoco. "Não é incentivando o uso indiscriminado que vamos combater o tráfico. E quanto ao argumento da liberdade de expressão, penso diferente. A democracia consiste em gerar responsabilidade social antes de mais nada."

Em 2008, pesquisa do Datafolha mostrou que 76% são contra legalizar a maconha.

40 anos de watergate

Deu hoje no Estadão. Vale a pena checar.


'Todos os regimes democráticos aprenderam muito' com Watergate

Em aniversário de 40 anos do caso, especialistas debatem consequências do maior escândalo político americano

BRUNA RIBEIRO

SÃO PAULO - O caso Watergate ficou tão famoso que virou roteiro de cinema no filme "Todos os homens do presidente" em 1976 e levou quatro estatuetas do Oscar no ano seguinte. A produção, baseada no livro homônimo de Bob Woodward e Carl Bernstein, conta a história de dois jornalistas que descobrem uma rede de espionagem e lavagem de dinheiro (Woodward e Bernstein, eles mesmos).
Nixon faz sinal de vitória depois do discurso de renúncia - Reprodução/BBC Brasil
Reprodução/BBC Brasil
Nixon faz sinal de vitória depois do discurso de renúncia
Veja também:
ENTENDA: Os eventos do caso Watergate
ESPECIAL: 40 anos do escândalo Watergate
Publicada no Washington Post, a história acabou levando, dois anos e dois meses mais tarde, à renúncia do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. O caso Watergate foi "o maior escândalo de seu tempo e um dos maiores da história moderna", na opinião do jornalista especializado em defesa Roberto Godoy, queacompanhou de perto a cobertura do caso no jornal O Estado de S. Paulo, há exatos 40 anos.
O professor de Relações Internacionais e integrante do Grupo de Conjuntura Internacional da USP (GACInt) Cristian Lohbauer acredita que o mundo mudou depois do impeachment do presidente americano. "Todos os regimes democráticos e mesmo os não democráticos aprenderam muito com esse fato", disse, em referência ao escândalo.
Lohbauer arrisca dizer que os processos que aconteceram com o ex-presidente brasileiro Fernando Collor (1990/92) e com Carlos Andrés Pérez (1989/93), na Venezuela, talvez não encontrassem um caminho jurídico aplicável se não houvesse uma jurisprudência internacional, apesar de as constituições serem diferentes.
'Moral e sociológico'
Para a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cristina Pecequilo, o impacto do caso Watergate no mundo é mais moral e sociológico do que prático. Segundo ela, a mudança de legislação posterior na tentativa de proibir o abuso de poder não surtiu efeito na prática, pois as questões continuam sendo tratadas do ponto de vista político e não jurídico.
Apesar de não acreditar em mudanças práticas, Cristina assinala para uma crise moral sem precedentes, que teve impacto na eleição que se seguiu ao escândalo do caso Watergate. Ela avalia Jimmy Carter, que assumiu o poder em janeiro de 1977, como um candidato totalmente distinto. "Ele veio trazer um discurso de moralização da política e de todas essas questões".
O resultado inusitado das eleições foi reflexo da decepção da população, que havia elegido Nixon no segundo mandato com popularidade bastante elevada. "É algo que pegou os Estados Unidos em um período muito difícil e a sociedade ficou marcada por isso. As pessoas votaram no Nixon e de repente foram confrontadas por essa grande decepção", avalia.
O primeiro impeachment
Neste cenário de alta popularidade e com os riscos de o presidente cair no auge da Guerra Fria, o impeachment de um líder americano no mundo democrático se tornou o primeiro e mais importante da história, de acordo com Lohbauer. Para o professor, isso mostra a força das instituições americanas. "Elas se impuseram sobre os interesses e perigos daquela época. Ele (Nixon) acaba renunciando, mas só depois de ver que não tinha saída", disse.
Lohbauer comparou o escândalo ao mensalão, um esquema de compra e venda de votos parlamentares que gerou a maior crise política sofrida do governo Lula. "O mensalão é um caso de impeachment. Se as instituições brasileiras tivessem a força, seriedade e celeridade das americanas, o presidente teria caído", aposta o professor. Cristina também comparou o caso Watergate ao de Collor, que tirou o ex-presidente do poder em 1992, após denúncias de corrupção política envolvendo o tesoureiro PC Farias. As denúncias foram feitas pelo irmão do presidente, Pedro Collor de Mello. "Em termos de conteúdo, ele é mais similar. Ele se refere a corrupção, abuso de poder e do cargo de maneira geral", disse.
Para os especialistas, o caso Watergate foi um grande exemplo para o resto do mundo e abalou a política norte-americana, conhecida por uma democracia sem rompimentos. Lohbauer descreve o desfecho do primeiro impeachment do mundo democrático com uma marcante fotografia da história, "quase grotesca". Após a renúncia, o presidente Richard Nixon sobe no helicóptero presidencial, vira-se para os fotógrafos e faz sinal de vitória. "É o político tradicional, ele sai como se não estivesse fazendo nada e assume o vice, como ordem legal".

"Será que a Folha é?" (homofóbica), pergunta ombudsman do jornal

Deu hoje na coluna da Suzana Singer, ombudsman da Folha. A última linha é um chute naquele lugar.


Será que a Folha é?
Jornal é chamado de homofóbico por editar carta contra gays e por insuflar preconceito entre as torcidas de futebol

Na semana da Parada Gay, surgiu a dúvida: será que a Folha é homofóbica? Não por ter calculado, com o Datafolha, o número de participantes no evento, iniciativa aplaudida pelos leitores. Nem por ter acolhido o artigo de um vereador evangélico que questiona os direitos dos homossexuais, já que havia um contraponto na mesma página.Mas por ter publicado, no Painel do Leitor on-line, uma mensagem que previa que "daqui para a frente ser hétero não será politicamente correto". "Os participantes da parada fazem a apologia da homossexualidade", defendeu o escritor Gilberto de Mello Kujawski, 82.

A reação foi forte nas redes sociais. A mensagem foi considerada, no mínimo, "fascista", e o jornal foi tachado de homofóbico. "Texto que fomenta o preconceito não deve ser publicado. Se escolheram essa mensagem, é porque ela reflete a opinião da Folha", disse Tiago Mariano, 21, estudante de jornalismo.
A revolta é compreensível, mas não é verdade que publicar manifestação "antigay" signifique encampar essa visão. Para saber a opinião da Folha, tem que olhar os editoriais. Nos últimos anos, eles defenderam iniciativas que visam garantir direitos de casais aos gays e a aprovação de uma lei específica contra a homofobia (sem tolher a liberdade de expressão).

Folha estaria errada se o e-mail publicado pregasse o ódio ou a violência contra homossexuais, mas não se tratava disso. Era mais uma ironia, de gosto duvidoso.

A dúvida do título acima é pertinente, porém, quando se analisa a notícia "Torcedores do Corinthians são maioria na Parada Gay, diz Datafolha", publicada discretamente no impresso, mas com grande visibilidade na Folha.com. Foi o texto mais comentado, mais enviado e o segundo mais lido de terça-feira.

O dado, que saiu da pesquisa feita na parada, apenas reflete o tamanho da torcida corintiana em São Paulo. Não era notícia nem deu para entender por que essa pergunta foi incluída no questionário, já que orientação sexual e time do coração não têm nada a ver.

Serviu apenas para reforçar preconceitos, como se viu nos mais de 840 comentários postados na internet. "Eu me ofendo quando um torcedor xinga o outro de veado, bambi, como se a nossa condição fosse motivo de vergonha. Essa matéria acirrou ainda mais isso", reclamou o editor de livros Átila Morand, 28.

Apesar do erro, a Folha não é homofóbica. Só os muito desatentos -e os militantes mais exaltados- não percebem a quantidade de reportagens e colunas favoráveis aos gays no jornal. O preconceito desse caso foi fruto de outra fraqueza: a vontade de aumentar a audiência com gracinhas, sem precisar suar para fazer jornalismo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

domingo, 3 de junho de 2012

Mancadas da imprensa: repórter antecipa morte de dirigente de futebol uma semana antes

Meu camarada Renato Maurício Prado, que tem dois livros hilários sobre histórias de futebol, "Deixa que eu chuto" 1 e 2, contou mais uma hoje em sua coluna no Globo. Aula de Jornalismo para estudantes de Comunicação. Ilustra o que pode acontecer quando uma informação é mal apurada. Mas que a história é engraçada, é.


Para ler é só passar a mãozinha na iamgem