domingo, 29 de abril de 2012

Os especialistas e a obrigação do repórter de questionar sempre

Imperdível. Deu hoje na coluna da Suzana Singer, ombudsman da Folha. Aula de Jornalismo.


Os especialistas
Reportagens baseadas apenas em quem trabalha na área ficam acríticas e podem induzir a erro

Uma parte considerável do noticiário é alimentada diariamente por "especialistas": de juristas a baristas, eles são ouvidos para comentar os últimos fatos, dar dicas ou fornecer dados de pesquisas.

Nada contra, desde que se mantenha um certo distanciamento crítico. Três exemplos recentes da Folha mostram que isso nem sempre tem acontecido.

Na última sexta-feira-13, o título principal de "Saúde" afirmava que "metade dos casos de dor de cabeça está ligada à mandíbula". A estimativa era de um dentista que criou há meses uma sociedade voltada justamente para orientar sobre dores de ATM (articulação temporomandibular). Foram entrevistados dois outros dentistas, que corroboravam a tese, mas nenhum médico.

O texto não esclarecia, mas a conclusão de que 50% das dores de cabeça vêm da mandíbula foi tirada de "observação clínica" -leia-se "nada de pesquisa científica".

"É uma inverdade, trabalhos sérios mostram que as cefaleias mais frequentes são a enxaqueca e a do tipo tensional, que correspondem a mais de 80% dos casos", rebate Marcelo Ciciarelli, 48, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Para Ciciarelli, reportagens como essa confundem o leitor, "levando-o a procurar tratamentos inadequados, a usar aparelhos e placas que, além do alto custo, na maioria das vezes pouco auxiliam".

O editor de "Saúde" admite que um neurologista deveria ter sido ouvido, mas não acha que a reportagem "pecou por falta de diversidade". "Parece improvável que todos os dentistas, mesmo os que nem lidam diretamente com ATM, conspirem para sobrevalorizar o lado odontológico do problema, e vários deles foram ouvidos", diz.

Só que dentistas também reclamaram da reportagem, cujo problema maior nem foi ter deixado de ouvir um médico, mas ter "comprado" um número sem questioná-lo.

Na penúltima edição de "Equilíbrio", de novo, só se ouviram interessados. Para falar sobre os benefícios da equoterapia, a reportagem ouviu quatro especialistas... em terapias com cavalos.

O texto também começava com um número impactante -"andando a cavalo, a pessoa recebe cerca de 2.000 novos estímulos cerebrais"-, sem citar a pesquisa de onde saiu o cálculo ou o que isso significa. A reportagem, sobre os ganhos da terapêutica mesmo para quem não tem problemas neuromotores, não tinha ressalvas nem comparação com outros métodos.

A influência dos especialistas se fez sentir também em uma reportagem do "Folhainvest" sobre a valorização de imóveis após reformas (2/4). Os três entrevistados eram:
1) um corretor de apartamentos;
2) uma arquiteta que compra, reforma e vende imóveis em Higienópolis; 3) o diretor da unidade de usados de uma grande imobiliária.

Como era de esperar, teciam as vantagens de recauchutar o imóvel antes de passá-lo adiante. Cada um citou uma porcentagem de valorização após a reforma, por volta de 60%, mas o título foi, inexplicavelmente, para "mais de 30%".

Em artigo na Folha (14/4), ao citar o viés dos especialistas ouvidos na imprensa, o professor titular de finanças da FGV William Eid Jr., 55, fala de um amigo jornalista que adoraria colocar nas reportagens "João da Silva, comprado, diz que a Bolsa vai subir. Já Antônio das Neves, vendido, diz que vai cair".

Se não dá para ser tão "explícito" na identificação das fontes, o melhor é buscar um contraponto. Por interesse ou paixão, o especialista só vê maravilhas naquilo que faz. Ao repórter cabe questionar em vez de engolir pílulas douradas.

A lição de Talese

Muito interessante o artigo de Maurício Stycer publicado hoje na Folha.


MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
A lição de Talese
São Paulo, julho de 1986
MAURICIO STYCER

A PRIMEIRA oportunidade que tive de colocar em prática os ensinamentos de "Aos Olhos da Multidão" (Expressão e Cultura, 1973), de Gay Talese, ocorreu em julho de 1986.

Repórter iniciante no "Caderno B", do "Jornal do Brasil", fui premiado com a missão de acompanhar, dos bastidores, um show do RPM, a banda de rock que fazia mais sucesso naqueles meses.

Espécie de bíblia dos jornalistas culturais na década de 1980, o livro de Talese circulava em cópias xerocadas com o estranho título que seu primeiro editor brasileiro lhe deu -a tradução literal do original, "Fama e Anonimato", só seria adotada na edição de 2004, pela Companhia das Letras.

Entre tantas lições, a que mais me encantava no livro era a que dizia respeito ao milagroso poder da observação.

No mitológico perfil que escreveu sobre Frank Sinatra, como se sabe, Talese não falou com o cantor, apenas o observou -além, é claro, de conversar com integrantes do seu séquito.

Em São Paulo, num sábado de manhã, embarquei com o grupo no ônibus da Poladian que os levaria a Araraquara para mais um das centenas de shows da turnê.

"24 horas na vida do RPM" foi o título da reportagem, publicada no dia 25 de julho com fotos de Dilmar Cavalher, que mostravam o delírio das fãs de Paulo Ricardo.

O acesso franqueado à reportagem permitiu a constatação do clima pesado entre os integrantes da banda. No hall do hotel, na hora em que os músicos sairiam em direção ao ginásio onde aconteceria o show, por exemplo, testemunhei a fúria do tecladista Luis Schiavon com Aguiberto Santos, secretário do grupo: "Te falei para você só me chamar quando o cara já estiver aqui embaixo".

Paulo Ricardo ainda demoraria 15 minutos para descer.

Segundo Arthur Dapieve, no livro "BRock - O Rock Brasileiro dos Anos 80" (Editora 34), essa reportagem teve o mérito de ser a primeira a mostrar que Paulo Ricardo, Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo P.A. Pagni já não se aguentavam mais, sinalizando a dissolução do grupo, o que ocorreria, pela primeira vez, em agosto de 1987, um ano depois.

O segundo parágrafo da reportagem mostra como absorvi de forma confusa os ensinamentos de Gay Talese. Descrevendo o clima dentro do ônibus, ao final do show, anotei:

"Paulo Ricardo, o líder da banda, adormeceu sabendo que uma laringite, recentemente diagnosticada, era a culpada pela rouquidão que o atacou ao final do show. Luis Schiavon, tecladista e cofundador do RPM, dormia intranquilo, irritado com os constantes atrasos de seu amigo Paulo Ricardo. Fernando Deluqui, o guitarrista, sonhava com um futuro trabalho solo, mais voltado ao seu modo de pensar. Paulo P.A. Pagni, o baterista, sonhava com seu cachorro de estimação, assassinado a pauladas por um ladrão dois dias antes.

"Aguiberto Santos, secretário e babá do RPM, não dormia: pensava em como poderia conseguir, algumas horas depois, uma passagem na ponte aérea para Moyra Linch, mulher de Paulo Ricardo, que resolveu, depois de tudo combinado, acompanhar o grupo ao Rio, para a gravação de mais um programa do Chacrinha."

Dias depois da publicação do texto, fiz no Rio uma longa entrevista com o líder da banda, na qual ele tocava apenas de leve num problema que, então, afetava o relacionamento entre os quatro integrantes: o uso de drogas.

Três meses depois da entrevista, Paulo Ricardo foi detido no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro com alguns gramas de maconha.

Tempos depois, ao reencontrar o grupo num evento, Schiavon usava uma muleta, em decorrência de algum problema ortopédico. Ao me ver, levantou a muleta, fazendo o gesto de que gostaria de me acertar com ela.
Entendi como uma brincadeira, mas, pedindo perdão a Gay Talese, preferi não me aproximar para observar melhor.

Ruy Castro e os limites da biografia

Deu na Folha. E é texto do Mestre.


Limites da biografia
RIO DE JANEIRO - Desde que me dediquei a escrever biografias, descobri que nenhum biografado vivo é confiável. Por estar vivo, ele terá de servir de fonte a seu próprio respeito -mas, por ser muito vivo, mentirá ou omitirá informações importantes e influenciará outros a fazer o mesmo. Pior ainda: por continuar vivo depois do livro pronto e por estar sujeito às cascas de banana que a vida nos joga, poderá cometer algo que contrarie esta biografia. E, com isso, adeus, livro ou autor.

Vide a biografia de Woody Allen, por Eric Lax, lançada em 1991.

Quando ela saiu, Woody era amado como artista e pessoa, e o livro era perfeito. Em 1992, veio o escândalo envolvendo-o com Soon-Yi, enteada de sua mulher, Mia Farrow.

A unanimidade trocou de sinal, e Woody passou a ser odiado. Bem, isso foi há 20 anos. Woody continua casado com Soon-Yi, o que, de certa forma, o absolveu. Lax não se deixou derrubar, mas seu livro tombou pelo caminho.

Uma mesa na recente Bienal do Livro, em Brasília, discutiu os limites da biografia, perguntando até que ponto elas são "definitivas". A conclusão foi a de que nenhuma é, esteja o biografado morto ou vivo. Concordo. Mas, dependendo de como é feita, pode-se chegar muito perto.

Se o biógrafo se dedicar ao biografado por um mínimo de três anos "full-time" e ouvir pelo menos 200 pessoas -e, algumas, tantas vezes que a média entre elas costuma dar cinco-, tem-se que o autor terá feito mil entrevistas (ao vivo ou por outros meios). É inevitável que, por mais oculto, tudo de significante na vida do biografado apareça.

Há dias, fui honrado com a possibilidade de biografar Millôr Fernandes. Recusei -porque acho cedo para isso. Nesse momento, Millôr não tem um só defeito. E todo biografado, por maior que seja, precisa de defeitos que o redimam.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A bizarra imprensa esportiva chinesa

Deu hoje no site "Vista Chinesa", do Fabaiano Maisonnave.


A bizarra imprensa esportiva chinesa

Pelé visita instalações olímpicas em Pequim (22.ago.2008/Divulgação).
Por Eric Vanden Bussche, de Taipei (Taiwan)
Em fevereiro de 2004, a seleção de futebol do Kuait, então dirigida pelo brasileiro Paulo César Carpegiani, desembarcou em Guangzhou para uma partida contra a China. Na época, eu trabalhava num jornal chinês e estava no sudoeste do país realizando uma reportagem sobre uma pequena comunidade agrícola da etnia miao. Como era o único do jornal que falava o português, fui escalado para entrevistar o técnico brasileiro, embora não entendesse nada de futebol.

O editor queria que eu pautasse a entrevista sobre declarações que Paulo César supostamente havia feito à imprensa chinesa sobre a sua rivalidade de 30 anos com o técnico da China, o holandês Arie Haan. Ambos haviam jogado por suas respectivas seleções na Copa do Mundo de 1974, na qual a Holanda despachou o Brasil por 2 a 0 na semifinal.

Segundo suas supostas declarações, Paulo César enxergava o jogo entre o Kuait e a China como uma revanche pela derrota de 1974. Antes mesmo de o técnico brasileiro desembarcar em Guangzhou, manchetes nos jornais chineses já frisavam o seu profundo desejo de vingança contra seu arquirrival Haan.
Liguei para Paulo César e comecei indagando sobre o assunto. Ele ficou perplexo e me surpreendeu ao perguntar o nome do técnico da seleção chinesa. Quando disse que se tratava de Arie Haan, ele respondeu que nunca tinha ouvido falar dele e ainda quis saber se o holandês havia realmente participado do mundial de 1974. “Como é possível ter uma rivalidade com uma pessoa que nem conheço?” insistiu. Mas como explicar então as suas declarações à imprensa chinesa sobre a sua sede de vingança? “Deve ser imaginação da parte deles”, me respondeu com uma gargalhada.

Esse é apenas mais um episódio no bizarro no mundo da imprensa esportiva chinesa, onde é possível encontrar de tudo: matérias que parecem obras de ficção, casos de plágio e supostas “entrevistas exclusivas” com esportistas famosos que não passam de frutos da imaginação dos repórteres.
A cobertura esportiva na China começou a ganhar força a partir do final da década de 90, por dois motivos que impulsionaram a proliferação de jornais e revistas dedicadas ao esporte no país.

Primeiro, a imprensa foi obrigada a se adaptar à economia de mercado, ou seja, tinha de começar a fazer dinheiro. Os dias em que as redações eram alimentadas por generosas verbas do Estado haviam chegado ao fim. Para sobreviver, jornais passaram a lançar outras publicações que atrairiam leitores, dentre as quais tabloides e revistas sobre esportes, cotidiano e moda.

O número de publicações disparou, atingindo mais de 2.200 jornais em todo o país, um aumento significativo se comparado ao pouco mais de 40 que circulavam na época maoísta (1949-1976).  Essas publicações variavam em gosto e gênero. Algumas, como o “Nanfang Zhoumo,” testavam os limites da censura, realizando matérias investigativas sobre corrupção e problemas sociais. Outras, como o “Nanfang Tiyu,” se especializavam em esportes e ocasionalmente publicavam notícias de gosto duvidoso, como um artigo que examinava o tamanho dos seios de uma ex-mulher de um astro do futebol mundial. Ambos eram devorados por leitores cansados da retórica marxista da imprensa oficial.

O segundo fator que alavancou o jornalismo esportivo nessa época foi a chamada “febre do futebol” que se espalhava pelo país. A partir de 1982, os chineses começaram a se apaixonar pelo futebol, principalmente o do Brasil. Zhang Xiaozhou, um dos colunistas esportivos mais famosos do país, certa vez me disse com orgulho que ele fazia parte da “geração chinesa de 82”, que havia aprendido a apreciar o futebol assistindo à seleção de Telê Santana jogar no Mundial da Espanha.

Em meados da década de 90, a China organizou o seu primeiro campeonato profissional de clubes, que contava com a presença de jogadores brasileiros.

Marcelo Marmelo, que antes de chegar ao país era um jogador desconhecido da segunda divisão no Rio de Janeiro, se tornou um astro. No auge de sua fama, ele não conseguia passear pela rua sem causar um tumulto entre torcedores.

Tudo que cheirasse a futebol passou a ganhar enorme popularidade. Chineses começaram a acompanhar atentamente os jogos dos campeonatos italiano e inglês e, durante a Copa da França em 1998, muitos acordavam às 2h ou 3h da madrugada para assistir aos jogos.

Nesse ambiente, a imprensa esportiva floresceu, atingindo o seu auge em 2002, quando sua seleção fez história ao se classificar para uma Copa do Mundo pela primeira vez.

A quantidade de jornais esportivos se multiplicava. E seus jornalistas passaram a ser extremamente bem remunerados, especialmente aqueles que conseguiam entrevistas exclusivas com craques estrangeiros.

Os repórteres pareciam torcedores obcecados com craques estrangeiros. No sorteio dos grupos para a Copa da Coreia e do Japão, um jornalista chinês ficou estático quando Pelé o cumprimentou com um “Hello.” Ele passou os próximos dias repetindo a todos que encontrava que era “amigo do Pelé.” Alguns meses depois, na chegada da seleção portuguesa a Macau para um amistoso contra a China, jornalistas chineses correram em direção aos craques portugueses para conseguirem fotos e autógrafos.

Em 2003, na ocasião da turnê que o Real Madrid realizou pela China, um jornalista chinês estava no banheiro da concentração do clube espanhol em Kunming, no sudoeste do país, quando o astro recém-contratado David Beckham entrou para fazer suas necessidades. Eles se cumprimentaram com um sorriso. Quando esse jornalista me contou essa história, ele pediu que não comentasse nada com os seus colegas. Por quê? Para quem conhecia o vale-tudo da imprensa esportiva chinesa, a resposta era óbvia. Caso seus editores descobrissem, no dia seguinte a manchete da Primeira Página do seu jornal provavelmente seria: “Nosso correspondente tem a honra de urinar ao lado de David Beckham”.

Entrevistas com esportistas de fama internacional (muitas frutos da imaginação dos jornalistas) começaram a encher as páginas dos jornais. O conteúdo era irrelevante para os editores. O importante era conseguir uma fotografia do correspondente ao lado do astro para provar que a entrevista era legítima. A fotografia servia como certificado de garantia e impulsionaria as vendas e a receita de publicidade.

Em alguns casos, era óbvio que tais entrevistas eram fictícias, pois eram feitas por repórteres que não tinham fluência na língua do astro ou simplesmente não estavam credenciados para cobrir o evento. Mas ninguém parecia se importar, contato que houvesse a fotografia.
Os jornalistas procuravam suas vítimas em eventos internacionais, às vezes se passando por torcedores para conseguirem a tão cobiçada fotografia. Com ela nas mãos, seguiam ao seu quarto de hotel e redigiam uma entrevista qualquer. Eles não se preocupavam em serem desmascarados. Afinal, qual o craque brasileiro, inglês ou italiano que sabe ler chinês?

O caso mais escandaloso envolvendo essa prática ocorreu pouco antes do início da Copa do Mundo de 2002.

O jornal esportivo chinês “Titan Zhoubao” publicou uma suposta entrevista exclusiva com o craque português Luis Figo, realizada por um de seus repórteres, Wen Tao. Parecia uma verdadeira façanha. Sem fluência no português e com um inglês apenas razoável, Wen Tao entrevistara um craque que não falava com a imprensa havia mais de um ano.

Ao ser questionado por Wen Tao sobre o astro inglês David Beckham, Figo supostamente respondeu: “Acho o Beckham mais bonito do que eu.” A frase virou manchete da primeira página do “Titan Zhoubao”, e a entrevista foi publicada juntamente com uma foto que mostrava o craque português dando um autógrafo a Wen Tao.

Havia apenas um problema: a entrevista era fruto da imaginação do jornalista. Por um descuido de Wen Tao, a sua “entrevista exclusiva” acabou chegando às mãos do assessor de imprensa da seleção, Fernando Santos. O “Titan Zhoubao” se viu obrigado a pedir desculpas à seleção portuguesa. Mesmo assim, Wen Tao continuou como correspondente do jornal no mundial de 2002, publicando artigos sob um pseudônimo.

Infelizmente, o debate atual sobre a imprensa chinesa no Ocidente gravita em torno da liberdade de expressão e censura por parte do governo. Mas há outros problemas extremamente graves como a falta de princípios éticos e profissionais. Essa não é uma questão que aflige apenas a imprensa esportiva. Recentemente, o “New York Times” examinou a prática corriqueira da mídia chinesa em aceitar dinheiro para publicar reportagens promovendo empresas e produtos.

A falta de princípios éticos nas Redações dá ao governo chinês uma desculpa para continuar a controlar a imprensa com mão de ferro. Por isso, essa questão não pode mais ser tratada por analistas ocidentais apenas como um tema secundário. As práticas empregadas por muitos jornalistas chineses são tão prejudiciais ao desenvolvimento da imprensa do país quanto a censura.
Eric Vanden Bussche é especialista em China moderna e contemporânea da Universidade Stanford (EUA). Possui mais de uma década de experiência na China. Foi professor visitante de relações Brasil-China na Universidade de Pequim e pesquisador do Instituto de História Moderna da Academia Sinica, em Taiwan. Suas áreas de pesquisa incluem nacionalismo, questões étnicas e delimitação de fronteiras da China. Sua coluna é publicada às sextas-feiras.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Xico Sá e o "Diário de um jornalista bêbado"

Ainda não vi o filme - e gostei. Li bastante sobre o Hunther Thompson. Leiam abaixo o texto do Xico Sá, publicado no site da Folha, e vejam o trailer. Recomendo.


10 sóbrios motivos para ver `Diário de um jornalista bêbado´

Aprecio a lenda gringa Hunther S.Thompson (1937-2005) até a tampa da última garrafa de rum do Caribe.
É o cara do chamado jornalismo gonzo, gênero sem moderação, feito à custa de uma consciência adulterada –por álcool inclusive- e muito faro para a grande narrativa em primeira pessoa.
Em suma: tudo que o caretérrimo periodismo da taba tupi,que perdeu o tino de contar história, carece nesse momento para atrair o leitor.
Talvez por causa desse gosto exagerado pela lenda Thompson, tenho agora um olhar sóbrio, chato e ranzinza sobre o filme “The rum diary”, em cartaz  nos cinemas como “Diário de um jornalista bêbado”.
O filme do diretor Bruce Robinson é certinho demais para a gonzolândia mental de H.S.T. Veja trailer aqui. É paisagem caribenha e chistes de quem tomou apenas três doses. Ninguém beija o chão nem os pés das mulheres.
Mesmo considerando que se trata de uma ficção do velho repórter, cujo alterego é um jovem freelancer nômade batizado como Paul Kemp, a película vacila em não se parecer com o seu grande personagem real.
Mas meus jovens leitores, por favor, esqueçam tudo que escrevi, como diria um sóbrio ex-presidente que fumava mas não tragava, e vejam o filme.
Deixo-lhes aí, amigos, boas razões otimistas que valem o ingresso, noves fora o meu desânimo de abstêmio forçado até a essa hora:
1) Depois do filme, você vai querer ler o livro. É sensacional. Tem uma edição de banca, da L&PM, com tradução que faria Thompson pagar todas para o Daniel Pellizari, o cara responsável pelo feito.
2) Johnny Depp,na pele do homem-gonzo, está aquela coisa competente que fazem vocês, meninas, soltarem gritinhos.
3) Gostosa e linda mesmo, porém, é a galeguinha Amber Heard, mulher de um jornalista chato, mas doida pelo bonitón da fita.
4) A melhor das razões: você pode sair do cinema, jovem calouro, e desistir de ser jornalista. Já pensou que vantagem?
5) A pior: você pode sair louco para encher a cara e contar histórias malucas. Aí não terá mais cura.
6) Saiba, no entanto, que Hunther S.Thompson era um bêbado, mas nem todo bêbado é Hunther S.Thompson.
7) Seja qual for a escolha, o amigo vai virar um leitor da obra gonza. Bela vantagem.
8) Se você já estiver no ramo e for aventureiro, corre o risco de ser demitido de tanto encher o saco do chefe para emplacar uma matéria na linha do gonzo, o que é praticamente impossível.
9) Você pode ver depois todos os filmes e livros da vida do cara e querer imitá-lo radicalmente. Cuidado. Thompson, viciado em armas de fogo, suicidou-se com um tiro no coco.
10) Os idiotas da objetividade sempre vencem e têm melhores salários. É outra grande lição. Você desiste?



domingo, 22 de abril de 2012

Antologia do colunismo: fila de vovós


Deu hoje na coluna do Ancelmo.

Leitor escreve livro sobre cartas não publicadas no Globo


Muito interessante essa matéria publicada hoje no próprio Globo. Bela pauta, bela matéria. Recomendo e reproduzo um trecho. Sou fã e leitor de seção de cartas. Só não leio as cartas publicadas na Veja. Isso quando leio a Veja. É dose.

Tem gente que não sabe ler jornal




Muito interessante. Calma, pessoal! Tem gente que vê "pêlo em ovo", como diria um amigo meu. As fotos são boas pra caramba. Puro trabalho jornalístico. Puro mérito do repórter.

Deu hoje na coluna da Suzana Singer, ombudsman da Folha.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ética e fim do diploma de jornalista. PC Guimarães e Fábio Lau debatem no programa "Conexão Esportiva"


Praqueles que pensam que eu sou apenas um rostinho bonito que só fala e escreve sobre futebol, sugiro que vejam a entrevista que gravei com meu amigo Fábio Lau no programa "Conexão Jornalismo" sobre a questão do diploma de jornalista. 
Para ver a voz e a imagem marcante de PC Guimarães é só clicar aqui.

domingo, 8 de abril de 2012

Falta melhorar a qualidade dos textos do jornalismo na internet


Imperdível a coluna de hoje da Suzana Singer, ombudsman da Folha. A parte em que ela fala da Marília Pêra  é uma aula. Quem escreveu o texto pode até ser desinformado - vá lá que seja - mas tinha que se informar e explicar.

Ruy Castro e o tatibitatês da internet


Mais um belo texto do Mestre. Vale a pena ler. E refletir.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Dois anos depois de ser tema de blog de alunos da FACHA, Beatles agora são tema de aula na PUC

Deu no site do Globo: "No Rio, Beatles agora são matéria de universidade". Fico feliz ao ler essa notícia. Em 2010 fiz um blog com meus alunos sobre os Beatles.


Para ler a matéria no site do Globo, clique aqui.


Para visitar o blog de alunos da FACHA, clique aqui.

Games também é ferramenta de ensino

Li no grupo de debates da Federação Nacional de Professor. Vale conferir. Clique aqui.