terça-feira, 29 de maio de 2007

Dia da Imprensa


Relatório revela agressões contra profissionais de imprensa em 2006
No dia 1º de junho comemora-se o Dia a Imprensa no Brasil. Para marcar a data, a FENAJ lançará o relatório “Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil” referente a 2006. O documento registra informações sobre 68 casos de violência e cerceamento à liberdade de imprensa e seis casos sobre coberturas de risco, arquivamento de processo e julgamentos no país no ano passado.

Anteriormente o Dia da Imprensa era comemorado em 10 de setembro, em alusão à primeira edição da Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808. O periódico expressava a visão oficial da corte portuguesa, que proibia a circulação de jornais e livros no Brasil para impedir o ingresso de idéias libertárias no país.

Mas em 1999, através de um projeto de lei apoiado pela FENAJ, foi reconhecido oficialmente que o pioneiro da imprensa brasileira foi o Correio Braziliense, que foi lançado em 1º de junho de 1808. O jornal era produzido em Londres, pelo jornalista gaúcho Hipólito José da Costa e entrava clandestinamente no país, transportado nos porões dos navios que traziam escravos e mercadorias.

Produzido pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da FENAJ, sob a coordenação da jornalista Carmen Silva, “Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil – Relatório FENAJ 2006” debruçou-se sobre denúncias e informações recebidas e divulgadas principalmente por sindicatos de jornalistas do Brasil e pela própria FENAJ, além de algumas registradas por veículos de comunicação, principalmente na internet.

“As formas de expressão dessa violência que busca calar a boca da imprensa podem atingir facetas extremas. Em 2006, foram quatro casos de assassinatos de profissionais da área, o dobro do número registrado no ano anterior, e oito de prisão e tortura, quatro vezes mais que o denunciado no relatório passado”, registra a pesquisa.

O relatório com todos os dados estará disponível aos interessados no site da FENAJ a partir de 1º de junho.

Fonte: Fenaj

Galeria de Fotos (FACHA Méier)




Meu querido amigo e fotógrafo Paulo Rodrigues esteve semana passada conversando sobre Fotografia com os meus alunos de Secretaria Gráfica da FACHA Méier. E ainda deu uma "canja" fotografando com sua potente Nikon digital e dando uma oportunidade pros alunos praticarem o nobre esporte de Cartier Bresson.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Vá "destribuir" mal assim no Mobral!

Não vou divulgar o nome nem o site jornalístico onde foi publicado para não prejudicar o colega, mas esse é o tipo de erro imperdoável. "Destribuído" é f...

"Dacio Malta, titular da coluna “Informe do Dia”, e Eucimar de Oliveira, diretor editorial de mídia impressa do Grupo O Dia, foram oficialmente demitidos na sexta-feira (25/05). No entanto, os dois jornalistas sabiam desde o dia anterior que seriam desligados da empresa, conforme foi comunicado, por e-mail, pela presidente do grupo, Gigi Carvalho. E acham que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pode ser o motivo da demissão.

“Ainda não fui demitido. Quem tinha que me demitir era o Eucimar, que não fez isso. E como meu acesso aos e-mails foi bloqueado, não vi o comunicado da direção do grupo”, brinca Dacio.

Ele se refere ao breve texto de Gigi destribuído a toda a redação na sexta-feira (25/05), comunicando o desligamento dos dois jornalistas e que o editor-chefe do Dia, Alexandre Freeland, assumirá o cargo de Eucimar. Também informa, sabendo que “boatos surgem”, que o jornal não está sendo vendido. (...)"

sábado, 26 de maio de 2007

I want to go back to Bahia


Meu amigo e ex-companheiro de O Globo e de Souza Cruz, Vitor Sznejder é o novo assessor de Imprensa do governador da Bahia, Jacques Wagner. E, embora pareça contraditório, está trabalhando como nunca. É claro que eu já sabia, mas eu respeito o "furo" dos amigos. Vitor é autor do livro que ilustra este post. Tem uma série de entrevistas com jornalistas do balacobaco. Destaque para a rara entrevista do ex-diretor de O Globo e TV Globo, Evandro Carlos de Andrade. É baratinho e ainda é possível encontrar nas boas livrarias do ramo.

Alô alô VS: depois dessa é só mandar a passagem de ida (ou ida e volta) e reservar uma suíte na Praia de Ondina.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

As meninas das calcinhas


As meninas são bonitas, a foto é bonita, o Léo é gente boa e o projeto "Calcinhas ao Léo" é muito legal. Em breve vocês poderão ler matéria sobre o assunto no Jornal Laboratório da FACHA. E aqui no blog também.

Concurso da CNN


Minha aluna Sheila Albuquerque manda a bela dica.

3ª edição do "Concurso Universitário de Jornalismo CNN"
O Concurso Universitário de Jornalismo CNN é um concurso de cunho cultural, promovido pela Turner International do Brasil - Canal CNN International, aberto exclusivamente a estudantes de jornalismo, tendo como objetivo incentivar o desenvolvimento do talento dos participantes e premiar o seu desempenho na elaboração de matérias jornalísticas televisivas.
Se você é estudante de jornalismo, não deixe de participar e concorrer a uma viagem para visitar os estúdios da CNN International nos EUA, e ainda ver sua matéria exibida no canal CNN.

http://www.concursocnn.com.br/2007/index.php

Google é sempre notícia


Google lança lista das cem buscas mais populares
O site Google lançou uma ferramenta que mostra os cem assuntos ou sites mais procurados.

A lista, parte do serviço de tendências do Google, será atualizada várias vezes ao dia usando informações de milhões de buscas, segundo a empresa. Pedidos de buscas sobre pornografia, clima e páginas populares como MySpace.com, além de celebridades, não serão incluídos. Ao invés disso o Hot Trends vai fornecer uma visão do que está interessando os internautas diariamente. O serviço junta elementos do Zeitgeist e Trends - dois produtos que já existiam e que revelam dados baseados apenas em informações da semana anterior.

Músicas
"Existem eventos ocorrendo o tempo todo que a maioria de nós não tem conhecimento" disse o engenheiro de software Amit Patel. Nos Estados Unidos, entre as buscas mais populares desta sexta-feira estava o filme Piratas do Caribe - No Fim do Mundo. Depois de uma atualização no Hot Trends, apareceram tópicos menos óbvios como "macacos com bolsas nas bochechas" em sétimo lugar ou, em primeiro lugar, "o autor mais estranho". Ao clicar nos assuntos de buscas mais populares, o usuário recebe gráficos e uma lista de blogs, notícias relacionadas e páginas de internet com o assunto.
O Google também informou que muitas buscas são feitas em vésperas de grandes exames escolares e podem ser feitas por estudantes do ensino médio com dúvidas de última hora. Segundo Amit Patel a lista deve atender pesquisadores da internet e jornalistas que procuram por boas idéias. "É muito divertido e vicia", disse.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Olha O Globo imitando a gente!

http://oglobo.globo.com/blogs/blogdeaula/
Vocês sabem muito bem quem chegou primeiro. E a matéria do Jornal Laboratório da FACHA avisou. Vai virar moda.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Aula (E tome título do balacobaco)

Aula (Outro belo título)

Do fundo do baú (Jason Vogel na minha aula)


Essa eu tirei do fundo do baú mesmo. Jason Vogel, hoje editor do caderno Carro & Etc de O Globo, foi um dos meus melhores alunos. Há poucos anos, esteve na minha sala dando palestra. Nesse dia, ao sair da aula, e pegar uma carona pra casa com o Jason, passei uma das maiores vergonhas da minha vida. Nosso ex-aluno, que tem a mania de colecionar carros velhos, me deu carona num fusca todo velho que por lá apareceu. O danado do carro enguiçou no Maracanã, no meio de uma blitz da PM. Passamos pela dita cuja empurrando o carro. Numa outra vez, ele foi dar palestra com um carango típico daqueles das canções do Roberto. Acho que era um Chevrolet; ou seria um Ford?. Preto com certeza. Daqueles que não se vê mais nas ruas e que nos tempos do professor Gilson Caroni eram usados como táxi.

Do meio do baú (Fotos de alunos)


O meu amigo Paulo Rodrigues, fotógrafo dos bons e gente da melhor qualidade, costuma sempre bater um papo com meus alunos sobre fotografia. E gosta de fotografar as turmas.

Aula (Páginas históricas)


Meus amigos
A partir de hoje começo a postar também algumas famosas páginas históricas. Como esta do antigo Jornal do Brasil. A censura proibiu que os jornais dessem manchete e fotos da morte de Salvador Allende, presidente deposto por um golpe militar no Chile. E o JB não deu foto nem manchete! O Jornal Laboratório da FACHA publicou matéria sobre o assunto com título "Golpe de Mestre".
As páginas também serão publicadas no lado esquerdo do blog.

Títulos (Complemento de Aula)


Meus amigos
Começo a postar hoje alguns títulos interessantes, curiosos, sacanas, criativos, polêmicos, péssimos etc. Alguns vou colocar aqui, outros do lado esquerdo da página. Adoro sacadas de títulos. E como é difícil fazer um bom título! Me lembro de quando fechei o meu primeiro jornal na Souza Cruz e não conseguia fazer um título legal para uma matéria sobre um funcionário que se vestia de Papai Noel no Natal. Meu amigo Paulo Romeu, que ajudava na edição do jornal, mandou:

Papai Noel existe.
E é nosso colega!


E cuidado com regrinhas tolas. Título tem que ser bom; nada mais.

Jornalistas não ligam para a teoria

Deu no Observatório da Imprensa. É grande, mas vale a pena ler e refletir.

ENTREVISTA / NELSON TRAQUINA

"Por que os estudos teóricos contribuem pouco para melhorar o jornalismo? Deve ser porque os jornalistas lêem pouco sobre eles", dispara Nelson Traquina, professor catedrático em Jornalismo do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa e autor de vários livros e coletâneas de estudos sobre jornalismo. Ele é também presidente do Centro de Investigação Media e Jornalismo desde sua criação, em 1997.

Nascido nos Estados Unidos, mas de nacionalidade portuguesa, Nelson Traquina garante que a investigação teórica e os estudos jornalísticos têm muito a contribuir no sentido de melhorar o cotidiano profissional e propor reflexões sobre o exercício da atividade. "O jornalismo é muito mais complexo do que o jornalista acredita ser", afirma o atual coordenador do Departamento de Comunicação da Universidade Nova de Lisboa.

Nesta entrevista, concedida em Lisboa, Traquina fala sobre o futuro do jornal impresso, da importância e poder que tem o jornalismo na atualidade, e diz defender a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista – mas prefere que esta seja "uma exigência da própria sociedade e não o resultado de uma determinação legal".

***

Parece ter havido senão uma diminuição, pelo menos uma alteração na natureza da influência que o jornalismo exerce sobre os rumos da sociedade em suas diversas instâncias. Que movimento é esse e como o senhor define, hoje, o poder do jornalismo dentro das dinâmicas das sociedades ocidentais?

Nelson Traquina – Não houve alteração substancial. A importância do jornalismo continua tendo a ver com a projeção de acontecimentos, problemáticas e na maneira de defini-los: o seu agendamento. A teoria do agendamento, depois de 20 ou 30 anos de pesquisa, tem demonstrado como a mídia define a presença desses acontecimentos junto ao públicos – problemáticas sobre as quais, eventualmente, as pessoas não têm grande conhecimento. O jornalismo continua sendo muito importante numa realidade que é cada vez mais fragmentada, no sentido de que com certeza, hoje em dia, há uma grande multiplicidade de fontes possíveis de informação.

Essa é uma situação generalizada ou há variações muito fortes de país para país?

N. T. – Infelizmente, até hoje, tem havido pouca investigação comparativa. Portanto, essas diferenças de país para país carecem de maior investigação com estudos comparativos. Mas tomemos como exemplo a segunda Guerra do Golfo. Demonstra claramente a importância dos meios de comunicação social na definição das problemáticas – em particular, nesse caso, nos Estados Unidos, a maneira como a cobertura postou-se favorável à decisão dos Estados Unidos de se envolverem- na questão do Iraque.

Partindo da idéia de um mundo globalizado: valores, modismos, hábitos... as práticas e a narratividade da imprensa nos seus mais diversos suportes têm dado conta dessa complexificação do mundo? Ou seja, a necessidade, que parece imperiosa, de articular o global e o local?

N. T. – Há, digamos, uma potencialidade de globalização, mas qual a realidade dessa globalização? Penso que as pessoas em geral ainda não têm isso muito claro no seu espaço, na sua vida cotidiana. Vivemos ainda em espaços nacionais, com a exceção de alguns que, circunstancialmente, exploram essa globalização. As pessoas são dependentes de meios de comunicação ainda muito nacionais e muito locais. Além disso, com quem a pessoa troca e-mails? Em geral, com as pessoas da mesma nacionalidade, de sua mesma região. Há muito pouca gente que vive, digamos, num circuito global. E, portanto, eu acho que embora essa potencialidade de globalização exista, ainda continuamos marcados por circuitos definidos pelas fronteiras territoriais nacionais e locais.

Mas hoje a sensação não é de superação dessas demarcações... Seis décadas depois, por exemplo, da cobertura da Segunda Guerra Mundial, o público não se relaciona de maneira diferente com o noticiário internacional?

N. T. – Creio que sim, mas esse consumidor ainda é muito marcado pelo nacional. É claro que as condições hoje existentes facilitam isso também, mas duvido muito que uma porcentagem significativa das populações utilizem, por exemplo, a internet para ler jornais da França ou dos Estados Unidos – enfim, de um país que não seja o seu. Um ou outro caso pode até haver, mas a maioria das pessoas ainda tem essa prevalência do circuito local/nacional.

Que avaliação o senhor faz do jornalismo, especialmente agora com tanta multiplicidade de fontes de informação em função especialmente das tecnologias digitais?

N. T. – Digamos que o jornalismo está cada vez mais pressionado por questões econômicas. Isso pode traduzir-se ainda mais em limitações. Nomeadamente a investigação no jornalismo. Isso não impede, claro, que existam trabalhos jornalísticos valorosos. Quanto às novas tecnologias, elas agregam benefícios importantes também. E isso acaba por se constituir em uma "mais-valia" que faz com que o jornalismo não seja visto de uma forma tão negativa. Acho eu que a evolução tecnológica, eventualmente, traz "mais-valias" que fazem com que seja cada vez mais difícil controlar o jornalismo – como por exemplo, a multiplicação de fontes... Um avanço, por exemplo, em relação a 20 ou 30 anos.

E como vê essa preocupação de que as tecnologias digitais colocam em risco os jornais e o próprio jornalismo?

N. T. – Como não tenho 20 anos de idade, quero acreditar que a imprensa vai continuar existindo no futuro. Mas tenho que reconhecer que hábitos de leitura que existiam há duas décadas, hoje não existem mais. Percebe-se o afastamento do jovem do hábito de ler jornais e isso deve ser um alerta sobre o futuro do jornal impresso. Isso me deixa preocupado, ou seja, a falta de hábito de leitura entre os jovens.

Investir na formação de leitores pode ser um caminho, uma solução?

N. T. – Por que os jovens não lêem? Acho que não temos ainda uma boa compreensão desse fenômeno. E muito menos resposta. Temos que tentar melhor compreender as barreiras, o que faz com que as pessoas não leiam. E ainda não se descobriu uma estratégia para despertar o interesse dessas pessoas, ativar leitores. Não temos uma boa compreensão desse fato e isso me preocupa bastante.

As novas tecnologias colocam em questão também o jornalismo?

N. T. – Eu não tenho preocupações em relação ao jornalismo. Eventualmente, tenho algumas preocupações quanto ao jornal. Não sei se daqui a 20 ou 30 anos o jornal vai continuar a ser uma presença importante, mas o jornalismo com certeza, sim. Tem que haver alguém, afinal, que se ocupa de gerir a informação do dia-a-dia. De hierarquizá-la.

Entendendo que o jornalismo surge na era moderna, ele veio para definitivamente ser a ligação do indivíduo com o mundo?

N. T. – Sim, por que há cada vez mais informação. Um processo que tende a se intensificar e cada vez ficar mais complexo. E que exige que haja pessoas dedicadas a geri-lo.

Os estudos teóricos sobre o jornalismo apontam para caminhos, alternativas para superar as perdas e danos que a produção fragmentada e fabril da notícia acaba por provocar e que sempre foi denunciada por muitos desses estudos?

N. T. – Essa fragmentação é da própria natureza do jornalismo. Ser fragmentado. Ele se desenvolve muito em torno dos acontecimentos que desaparecem rapidamente, mudam de dia para dia. E ele tem que dar conta de acompanhar essa sucessão interminável de fatos. E as pessoas têm que entender, têm que reconhecer que o jornalismo tem limitações. E muitas vezes o jornalismo é encarado como se ele não tivesse essas limitações. E não são poucas, a começar pelo fato de estar tão ligado aos acontecimentos e ao cotidiano.

Mas o jornalismo acaba sendo muito criticado por áreas como a Filosofia, as Ciências Sociais por sua superficialidade e simplificações...

N. T. – São muito diferentes as perspectivas do ator que faz e a do leitor que analisa. E essas leituras que você citou são de pessoas que estão de fora do processo de produção. Portanto, desconhecem a realidade dessa prática, a jornalística, e, por conseguinte, as suas limitações.

Como explicar que nas últimas cinco décadas os estudos do jornalismo tenham avançado tanto, mas ainda parecem contribuir tão pouco para melhorar as rotinas das redações?

N. T. – Inicialmente, parece comprovar o fato de que as pessoas que fazem as notícias lêem pouco sobre o jornalismo. Estão pouco interessadas no estudo do jornalismo. E, com isso, há pouca troca de contribuições entre as pessoas que estudam jornalismo e as pessoas que, no dia-a-dia, fazem as notícias.

E há muitas contribuições que poderiam ser incorporadas ao fazer diário do jornalismo?

N. T. – Há contribuições para reflexão sobre o exercício do jornalismo e também para o trabalho cotidiano, principalmente no que diz respeito à compreensão dos seus limites. Mas é importante dizer que o jornalismo oferece, geralmente, bem mais do que se costuma identificar e reconhecer nele. Creio que muito do que o jornalismo faz de bom se perde por ele ter essa característica de ser um produto "do dia", que se perde, pois quem vai se lembrar disso daqui a uma semana? Creio que há mais riqueza no jornalismo do que simplesmente a superficialidade. Isso não quer dizer que esta não exista, mas há contribuições valiosas do jornalismo para a sociedade que geralmente acabam esquecidas.

A impressão que se tem muitas vezes é que o jornalismo é uma operação intelectual muito mais complexa que o próprio profissional que a executa acredita ser. Há estudos teóricos a este respeito?

N. T. – O profissional jornalista trabalha com uma meta: completar o seu dia, fazer sua notícia, fechar o seu jornal. Há, diariamente, uma seqüência de desafios que os jornalistas têm que vencer para dar conta de seu trabalho. Isso faz com que os jornalistas não percebam as complexidades que realmente existem na sua atividade. Acima de tudo, eles querem realizar, cumprir a tarefa de hoje. Estão pressionados para que isso ocorra pelo fator tempo, além de vários outros. Por isso mesmo, têm dificuldade de reconhecer essas complexidades, ao contrário das pessoas que estudam o jornalismo. Isso acaba por levar o jornalista a circunstâncias, por exemplo, como a simplificações em uma cobertura.

Em uma determinada situação em que haja muitas divergências, ou seja muitas posições, ele tende a ouvir apenas o "a favor " e o "contra", sem ouvir outras opiniões, não tendo sensibilidade para outras divergências ali existentes que poderiam dar a real dimensão da informação. Mas, ao mesmo tempo, os formatos e a própria linguagem do jornalismo também constituem constrangimentos. E, daí, resultam algumas acusações como superficialidade e simplificações, sendo que há, digamos, uma obrigatoriedade de o jornalista tentar simplificar.

Há formatos que vão condicionar a maneira de se tratar o acontecimento. A começar pela "pirâmide invertida". Leva a uma hierarquização das informações. É preciso ter um lead. O formato influencia pois o jornalista é levado a escolher um lead. Além disso, a própria extensão – em termos de linhas ou de tempo – da notícia condiciona bastante também.

O que prevalece na definição dos enquadramentos das diversas coberturas realizadas pela imprensa?

N. T. – Os enquadramentos se definem principalmente pelos acontecimentos a que estão relacionados e pelo tempo e maneira com que esses acontecimentos transcorrem e, também, pela própria cultura jornalística. De tal maneira que os enquadramentos impõem-se em função de fatores distintos e muitas vezes alteram-se durante o seu desenrolar. O enquadramento é a forma, a maneira como determinado acontecimento é tratado pela mídia.

Mas esses enquadramentos não são principalmente resultado de interesses de grupos?

N. T. – Têm a ver primeiro, como já disse, com os próprios acontecimentos e, depois, com esforços de promotores desses acontecimentos para que estes sejam vistos da maneira como eles tentam definir esses acontecimentos. Ou seja, as maneiras como determinados grupos envolvidos com esses acontecimentos querem que estes sejam percebidos e os efeitos que desejam que essa divulgação tenha. E tem peso também a própria cultura profissional jornalística que faz com que, eventualmente, se cerque e coloque uma marca nesses acontecimentos que, a partir daí, serão referidos dessa ou daquela maneira.

As discussões sobre a objetividade, imparcialidade ainda rondam o imaginário dos jornalistas ou pode-se dizer que ainda esses são pontos já ultrapassados?.

N. T. – De maneira alguma. E esses não são pontos de atenção e interesse apenas dos profissionais do jornalismo. É uma questão da sociedade. E são conceitos tão ligados ao jornalismo que as próprias pessoas têm dificuldade em deitar fora essa perspectiva de um jornalismo objetivo, imparcial. São valores muito defendidos e cobrados pela sociedade. As pessoas, em geral, esperam isso do jornalismo. E acabam sendo, também, critérios para avaliar a qualidade do trabalho do próprio jornalista. De forma que os jornalistas dificilmente podem escapar desses valores, pois estão muito identificados com o seu trabalho e a expectativa que dele tem a sociedade. Um veículo pode assumir posições, tornar-se partidário de teses, mas mesmo assim espera-se dele objetividade.

Por que estudar o jornalismo? É a pergunta que os teóricos se fazem neste momento. Qual efetivamente a contribuição que a universidade pode trazer para um jornalismo de mais qualidade?

N. T. – Primeiramente, sublinhar a complexidade do jornalismo e as dificuldades e desafios para o exercício da profissão. Seus limites. Ajudar a compreender os fatores que condicionam esse trabalho. Procurar sensibilizar, enfim, os profissionais para esses e muitos outros aspectos que denotam a complexidade de sua atividade. Discutir e refletir sobre essa profissão

O Brasil é um dos poucos países em que prevalece a exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista. Qual a opinião do senhor em relação a esta exigência?

N. T. – O Brasil é um dos poucos países em que existe essa exigência e creio que nesse sentido está à frente dos outros. Não sei se os outros chegarão lá. É um aspecto que considero positivo, mas gostaria que fosse, antes, uma conclusão, uma exigência da própria sociedade. Sem leis que a obrigasse a chegar a essa conclusão. Mas importante é salientar que cada vez mais vai se exigir do jornalista uma competência na área específica. E tomara que os outros países cheguem à conclusão que o caminho adotado pelo Brasil – a exigência do diploma – é correto e deve ser seguido.

O jornalismo está cada vez sendo mais criticado precisamente pelo papel importante que tem – e isso, por si só, já denota a necessidade de competências específicas para que o profissional possa corresponder às exigências. E creio que, mais cedo ou mais tarde, muitos países vão acabar seguindo o Brasil nessa exigência.

Mas na Europa, por exemplo, o Processo de Bologna parecer apontar para direção oposta, em termos do ensino universitário...

N. T. – Digamos que há muito pouco consenso sobre isso. Há muitos caminhos propostos e em discussão. O que sei é que há cada vez mais reflexões e um consenso sobre o papel do jornalismo na sociedade com o entendimento de que é cada vez mais difícil exercer a profissão. Mas, ao mesmo tempo, não sei bem se há entendimentos sobre a melhor maneira de se solucionar problemas neste momento. Nos espaços de poder, há, enfim, a todo momento, declarações que apontam para a importância do jornalismo e, ao mesmo tempo, críticas sobre o papel que ele vem cumprindo na sociedade contemporânea. Mas não há ainda consensos sobre a maneira de responder a esses desafios.

O senhor defende a exigência do diploma para o exercício do jornalismo em Portugal?

N. T. – Eu nunca defendi, mas penso que, com o tempo, vai se chegar a essa conclusão. Como disse, gostaria que a própria sociedade chegasse a essa conclusão. Mas há interesses diversos, como os de natureza econômica, que apontam para outras soluções. Para os donos de veículos, certamente, não há interesse na exigência de uma formação específica em jornalismo pois podem encontrar mão-de-obra mais barata que aquela licenciada.

Mas, como tese genérica, o senhor defende a exigência?

N. T. – Eu penso que vamos chegar a essa situação. Vai se exigir cada vez mais do profissional uma qualificação específica. Creio ser inevitável.

domingo, 20 de maio de 2007

Jânio de Freitas e a concorrência fajuta 20 anos depois


Jânio de Freitas ganhou o Prêmio Esso com uma grande sacada denunciando uma concorrência fraudulenta na construção da Ferrovia Norte-Sul. Já se foram 20anos. O Jornal Laboratório da faculdade fez matéria de capa sobre esse tema. Jânio de Freitas volta ao assunto hoje, domingo, dia 20 de maio, em sua coluna na Folha. Vale a pena ler. Embora grande (sic).

Feliz aniversário
Na semana seguinte haveria uma concorrência de US$ 2,5 bilhões e nós já sabíamos os futuros ganhadores
AINDA que pareça, não é coincidência. É o final feliz, embora não para todos, construído pelo longo percurso que levou José Reinaldo Tavares a ministro, a parlamentar, a governador e, nesta semana, à cadeia. Na ocasião mesma em que faz exatos 20 anos, completados no dia 13, o maior dos escândalos provocados pela corrupção em licitações públicas: o da concorrência de US$ 2,5 bilhões, que a Folha comprovava ser fraudulenta, para construção da ferrovia Norte-Sul (ou Maranhão-Brasília) sob a responsabilidade de José Reinaldo Tavares, ministro dos Transportes no governo Sarney.
Concorrências e obras públicas sempre foram cenários de fraudes e alta corrupção, com duas barragens protetoras. Uma, a dificuldade de comprovação, na hipótese (nunca mais do que hipótese) de que um político se dispusesse à denúncia; outra, as variadas ligações das grandes empreiteiras com os meios de comunicação. Ao valor inicial fabuloso, porém, o projeto da Norte-Sul acrescentou a novidade de um esquema complexo para sua implantação.
Uma subsidiária obscura da então estatal Vale do Rio Doce, chamada Valec, foi reativada e deslocada para a órbita do Ministério dos Transportes, com o encargo de fazer as operações relativas à Norte-Sul. A longa extensão da ferrovia foi dividida em 18 setores de construção, cada um deles a ser atribuído a uma empreiteira. A licitação equivalia, portanto, a 18 concorrências. Ou à complicada acomodação dos interesses de 18 grandes empreiteiras, na divisão de lotes com tarefas e valores diferentes, e ainda, no outro lado, os interesses dos que criaram o projeto, geriam a concorrência e conduziriam a obra.
Ainda assim, no dia 7 de maio pude telefonar da redação carioca da Folha para a sede paulista, com um assunto importante. Já diretor de redação, Otavio Frias Filho estava no exterior, falei com Octavio Frias de Oliveira: na semana seguinte haveria uma concorrência de US$ 2,5 bilhões (ele estava a par) e nós já sabíamos os futuros ganhadores, mas o problema era a comprovação do conhecimento antecipado, que desnudaria a concorrência como farsa e demonstraria a fraude e a corrupção. "Já sabemos?" -era mais um desejo irônico de confirmação do que espanto. Sabemos, e a idéia seria publicar disfarçadamente o resultado em alguma parte do próprio jornal.
Não ouvi mais do que uma breve resposta com o sentido indireto de assentimento. Nenhuma advertência, nenhum sinal de apreensão. Não creio que alguém, em qualquer tempo do jornalismo brasileiro até então, pudesse imaginar uma atitude assim, tão objetivamente livre, tão puramente jornalística, de um empresário de imprensa diante de um assunto sempre imaculado por força dos seus muitos perigos. De minha parte, todos os minutos daqueles dias foram de tensão pura, mas com a certeza de que já encontrara naquele telefonema o momento culminante, para mim, de todo o episódio jornalístico da concorrência.
Com o aspecto de comunicado referente a sorteio ou algo assim, e sob o título "Lotes", montei um anúncio, posto entre os classificados, combinando letras que identificassem cada empreiteira e, ao lado de cada uma, o número do setor que lhe caberia como "vencedora" na disputa das propostas técnicas e de preço. Presença já secular nos jornais, os classificados enfim tornavam-se parte do jornalismo: à noite do dia 12 a Valec divulgava o resultado da concorrência e, na manhã seguinte, a Folha reproduzia o anúncio publicado cinco dias antes. A relação oficial dos "vencedores" da disputa era exatamente igual ao antecipado pelo anúncio.
O escândalo foi imediato. No governo sucederam-se reuniões. José Reinaldo Tavares comunicou um processo contra mim na Lei de Segurança Nacional. Dissuadido por Saulo Ramos, consultor-geral da República, transferiu a Romeu Tuma, diretor da Polícia Federal, a instauração de inquérito policial para me incriminar pela afirmação, no texto do dia 13, da ocorrência de fraude e corrupção, que não estariam provadas. Poucos dias depois, em sua reportagem de capa, "Veja" explicava serem necessários uns 10 milhões de anúncios, considerando-se o alto número de concorrentes e de setores em disputa, para acertar o resultado com a precisão exibida.
O procurador da República designado para me interrogar com a PF, e participar da investigação, mostrou-se mais hostil e determinado a me incriminar do que o delegado incumbido do inquérito. Mas, no relatório final, chegou à conclusão da existência de motivos para processo criminal, sim, mas contra os responsáveis e operadores da concorrência, os do lado governamental como os das empreiteiras. Meses de manobras, para esfriar o assunto até o esquecimento, encerraram-se pelo arquivamento do inquérito e da recomendação do procurador.
A anulação da concorrência não impediu José Reinaldo Tavares de seguir sua carreira e sua vocação autêntica, até ser preso, agora, sob acusação de relações corruptas com uma empreiteira, quando governador do Maranhão (até cinco meses atrás). As grades da carceragem da Polícia Federal em Brasília o impediram de também estar na inauguração, feita anteontem por Lula, de um trecho da Norte-Sul. Mas, para celebrar ao menos os fatos que gerou, e que me permitiram provar a corrupção em concorrências de obras públicas, mandei-lhe na cadeia um cartão de cumprimentos. Acompanhado de um bolo com as velinhas de 20 anos.

Ombudsman da Folha escreve sobre a "barriga" do JB

"Traficantes" de foto são atores de filme
Na edição de terça-feira, o "Jornal do Brasil" publicou na primeira página uma chamada com o título "Tráfico exibe poder de fogo pelo Orkut".
Acima, estampou uma foto de jovens armados, com a legenda "Doze traficantes com armas e coletes à prova de balas. Entre eles, uma mulher".
A reportagem da página A12 acrescentava mais informações obtidas na rede de relacionamentos da internet: "Um outro perfil, de uma pessoa não identificada, exibe a foto que simboliza a ousadia dos traficantes no Orkut. Doze jovens armados de fuzis, metralhadoras e pistolas se exibem para a câmara no alto de um morro. Até uma mulher aparece no grupo".
Foi "barriga", o que o "Manual da Redação" da Folha define como "publicação de grave erro de informação".
Os "traficantes" eram, na verdade, atores fotografados na filmagem de um longa ainda inédito.
Infelicidades como essa compõem a história de toda empreitada jornalística e de todo jornalista. Quem nunca deu vexame que ouse atirar a primeira pedra.
A maior surpresa, contudo, o "JB" guardou para o dia seguinte, quando titulou na capa "Atores viram bandidos em página de apologia ao CV": em momento algum o jornal reconheceu o seu erro.
Ao noticiar a investigação policial sobre apologia virtual ao crime, o diário contou que os "bandidos" eram artistas, mas transferiu a cobrança: "nem a assessoria do grupo [teatral Nós do Morro] nem os atores souberam dizer quem fez a fotografia e como ela foi parar lá" (no Orkut).
O maior tropeço do "JB" não foi a falta de checagem sobre foto garimpada na internet, mas não assumir que informou errado.
Conversei com a editora chefe adjunta do "JB", Ana Carvalho. Ela afirmou: "Não escolhemos aleatoriamente essa fotografia. Fomos induzidos ao erro porque a foto constava em quatro sites, todos com apologia ao Comando Vermelho. Não é nem tanto reconhecer, nem tanto não reconhecer o erro. Acho que existe uma má vontade grande com o "Jornal do Brasil", principalmente dos jornalistas".

sábado, 19 de maio de 2007

Granta no Brasil


"Granta" terá edição brasileira
Uma das principais revistas literárias do mundo ganhará uma versão nacional a partir de outubro
A previsão é de que até 60% dos textos inéditos de ficção e de não-ficção sejam traduzidos; restante virá de autores brasileiros


MARCOS STRECKER
DA REPORTAGEM LOCAL


É uma ótima notícia para o mundo literário. A mais prestigiosa revista literária britânica, a badalada "Granta", vai ganhar uma edição brasileira a partir de outubro. Quem está trazendo a revista ao Brasil é a editora Objetiva, que está associada desde o ano passado ao selo espanhol Alfaguara -já responsável por uma edição espanhola da publicação, desde 2003.
Roberto Feith, diretor da Objetiva e responsável por trazer o título ao Brasil, diz que a proposta é utilizar até 60% de material original e produzir a diferença com contribuições originais de autores brasileiros.
"A revista será semestral pelo menos nos dois primeiros anos", disse Feith. O primeiro número ("Os Melhores Jovens Escritores Norte Americanos") será a tradução da "Granta" mais recente, que reuniu 21 nomes (incluindo textos de Jonathan Safran Foer, Nicole Krauss e Uzodinma Iweala), e não terá material brasileiro.
Já o segundo número (abril de 2008) deve se inspirar em três edições da "Granta" original ("On the Road Again", nº 94, 2006; "Necessary Journeys", nº 73, 2001 e "Wish You Were Here", nº 91, 2005) e uma edição espanhola ("Sobre la Marcha", de janeiro passado).
A "Granta" (que no Reino Unido é trimestral) não publica poemas e raramente inclui resenhas ou ensaios. Segundo Isa Pessoa, editora-chefe da Objetiva, a edição brasileira vai seguir exatamente a mesma linha. A revista só trará textos de ficção ou não-ficção inéditos, além de reportagens fotográficas, uma fórmula que a tornou famosa no mundo inteiro.
Para os responsáveis da edição brasileira, mais do que trazer assuntos locais específicos a idéia é seguir temas que possam agregar vários nomes, e permitir que os brasileiros também possam alcançar a original britânica e as outras edições regionais (já existem edições também na Grécia e Uruguai). Os nomes, segundo Feith e Isa Pessoa, serão escolhidos por critério editorial e pelos temas abordados.
Como a britânica, a edição brasileira terá sempre um mínimo de 256 páginas. Serão 5.000 exemplares (contra uma média de 70 mil distribuídos no Reino Unido e nos EUA), não haverá assinaturas e a distribuição será em livrarias. A princípio não haverá uma equipe própria da revista.
A publicação ficou famosa desde o final dos anos 70 ao lançar regularmente listas de nomes promissores da literatura britânica e americana. Muitas apostas da revista viraram grandes nomes, como Jonathan Franzen e Ian McEwan, só para citar dois.
A revista centenária (foi fundada em 1889 por alunos da Universidade de Cambridge) também está associada ao boom da nova literatura britânica desde os anos 80 e a uma "espetacularização" dos escritores. Além disso, é conhecida pela capacidade de criar "modas" literárias. Um bom exemplo é o termo "Dirty Realism" (realismo sujo), cunhado no número 8 (em 83), que publicou os americanos Raymond Carver, Richard Ford e Michael Herr, entre outros.
As edições, que são temáticas ("África", "vida no campo", "música", "zonas de guerra" etc.), muitas vezes acabaram direcionando a crítica literária. O número 10 ("Viagem", de 1983) é um dos mais famosos e reuniu García Márquez, Bruce Chatwin, Saul Bellow, James Fenton e Paul Theroux.

Fonte: Folha de S. Paulo (Ilustrada)

Cony e o Jornalismo (Do fundo do baú)


Mexendo no baú, encontrei esse artigo antigo do Carlos Heitor Cony, publicado na Folha. Ainda é atual.

Alberto Jacob, uma homenagem


Dizer que a PM sempre gostou de bater em estudantes, em jornalistas e no povo desarmado não é nenhuma novidade. Mas essa foto é de uma época mais negra ainda. Tempos de Ditadura Militar. O profissional agredido na foto é o repórter-fotográfico Alberto Jacob, meu grande amigo e uma das pessoas mais íntegras que conheci na vida. Um grande exemplo de gente e profissional. Outro dia conto algumas histórias interessantes do Jacob pai.

Alberto Dines e "O papel do Jornal" (capa histórica)


Estou aproveitando o sábado para "limpar" os meus arquivos e dar uma atualizada nos meus dois blogs. E redescobrindo "tesouros", como essa histórica capa do famoso livro do Alberto Dines, "O papel do jornal". Um clássico do Jornalismo e de uma época em que os estudantes tinham poucas opções de livros sobre Jornalismo.

Dica do blog ("Crimes que abalaram o Brasil")


Os "puristas intelectuais" vão torcer o nariz, pois o livro é editado pela Editora Globo e "inspirado" no programa "Linha Direta", da TV Globo, mas vale a pena ler "Crimes que abalaram o Brasil", organizado por George Moura e por Flávio Araújo, com reportagens de Marcelo Faria de Barros e Wilson Aquino. Um belo "retrato" histórico sobre o "Crime da mala", "Dana de Teffé", "Chico Picadinho", "Irmãos Naves", "A fera da Penha", "Crime do Sacopã" e o "Menino Carlinhos". Como está na apresentação, tudo aconteceu "num tempo em que assassinatos eram escândalos, e não apenas dados de estatística".

Noivinha da Pavuna no JL Méier




Os alunos do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) da FACHA Méier, formandos do segundo semestre do ano passado, desenvolveram uma edição do JL Méier sobre a TV Tupi. Vale destacar a capa e a entrevista que a aluna Isabele Rangel fez com a "Noivinha da Pavuna", Leni Orsida Varela, destaque do programa "O céu é o limite", apresentado por J. Silvestre, nos anos 60. Belo resgate histórico. Republico aqui no blog para que sirva de referência em pesquisas futuras.
Agradecemos ao ex-aluno Jason Vogel que colaborou na localização da "Noivinha", que continua morando na Pavuna, mas mudou de marido.

O texto da capa também é da Isabele. Quem quiser ler, é só clicar na imagem. Belo trabalho, Isabele.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Orkut! Cuidado! Ainda sobre a "barriga" do JB

Estou fora do Rio, no momento. Tentei postar este artigo ontem, mas deu tilt. Mestre Gilson Caroni, gente boa, apesar de flamenguista, mandou por e-mail texto do Tiago Cordeiro, publicado no Comunique-se.

"Na maioria das universidades, os professores recomendam que uma informação seja checada no mínimo três vezes antes de ser publicada. Na pressa dos "pescoções" e horários de fechamento, não é raro que repórteres não tenham como recorrer a esse expediente. Ainda assim, para muitos profissionais a intensidade e velocidade do trabalho jornalístico não justificam que apenas um site como o Orkut seja usado como única fonte de informações.

“O Orkut deve ser tratado como qualquer site da internet, existe uma série de procedimentos para você checar a informação. Como fonte, o Orkut não basta por si só”, opinou Diego Toledo, subeditor da BBC Brasil. A matéria “Tráfico exibe poder de fogo pelo Orkut”, publicada no Jornal do Brasil nesta terça-feira, não informa em nenhum momento outra fonte além do site de relacionamentos. Todo texto fala sobre supostos perfis de traficantes sem indicar quais evidências confirmariam que foram feitos por criminosos e não pessoas como os atores do filme "Cidade dos Homens", confundidos como criminosos.

"Acho que o Orkut é fonte sim, mas não pode ser a única", declara a jornalista Pollyanna Ferraz, professora da PUC-SP e pesquisadora em intermídia. Ela lembra o caso de um e-mail que dizia conter fotos do acidente da Gol, mas se tratava de imagens do seriado "Lost". "A falha está não no Orkut e sim na apuração", frisa.

Para o professor de jornalismo online da PUC-RS Eduardo Pellanda, o Orkut e outros sites como a Wikipedia podem ser usados no jornalismo, mas não como “fonte primária” e sim como um indicador de um tipo de comportamento. “Não sendo o único elemento de dados, acho que o Orkut pode te ajudar bastante nesse sentido. Há conversações lá que são reais e podem ser um dado a mais”, explica Pellanda.

Sem donuts para você

Apesar da polêmica, todos os profissionais de jornalismo online concordam que o caso do JB não sustenta excluir o Orkut de uma apuração e sim que ele não deve ser a única fonte. “Ele pode ser usado com restrições. As funções básicas do jornalismo têm que ser seguidas sempre para não comprarmos algo como verdade e vendermos como se fosse verdade. Se houver qualquer dúvida, o editor deve sempre checar se vale colocar a informação com uma dúvida ou optar por não dar nada”, ressalta Luiz Claudio Oliveira, editor da Gazeta do Povo Online.

O subeditor da Websinder, Paulo Rêbelo, vê o Orkut como uma boa possibilidade de se adquirir novas fontes, mas também condena usá-lo com exclusividade. "Tem muita gente que usa e não checa se está falando com alguém de verdade e é muito fácil criar um perfil falso. Já vi muitos casos de colega usar o Orkut para achar uma pessoa, fazer perguntas por e-mail e nunca verificar se essa pessoa existe, se realmente ocupa aquele cargo etc.", explica o jornalista que apesar da opinião jamais usou o site de relacionamentos como fonte.

“É a lição básica do jornalismo. A gente tem que garantir a informação para o leitor. Em uma situação dessas, a pessoa vê aquilo no Orkut e compra como verdade sem checar com a polícia ou com uma fonte segura”, explica Oliveira.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Seleção de trabalhos de alunos: Isabelle Ramos, FACHA Méier



Que belo trabalho da Isabelle! A tarefa: produzir uma revista tendo um jornalista como tema. Isabelle escolheu bem: José Hamilton Ribeiro. E fez uma bela produção gráfica. Eis a capa e uma das páginas internas.

A incrível história do "boimate" (Aula sobre "barrigas")

Jornalismo Científico: teoria e prática
O caso boimate. Uma árvore que dá filé ao molho de tomate. E alguém acreditou nisso
Wilson da Costa Bueno*

Os jornais e revistas ingleses gostam de " descobrir" fatos científicos no dia 1º de abril. A maior revista brasileira " comeu barriga" e entrou na deles. Conheça a história do " boimate", " uma nova fronteira científica". O " fruto da carne", derivado da fusão da carne do boi e do tomate, batizado com o sugestino nome de boimate, constituiu-se, sem dúvida, no mais sensacional " fato científico" de 1.983, pelo menos para a revista Veja, em sua edição de 27 de abril. Na verdade, trata-se da maior " barriga" (notícia inverídica) da divulgação científica brasileira.
Tudo começou com uma brincadeira – já tradicional – da revista inglesa New Science que, a propósito do dia 1º de abril, dia da mentira, inventou e fez circular esta matéria. A fusão de células vegetais e animais entusiasmou o responsável pela editoria de ciência da Veja que não titubeou em destacar o fato. E fez mais: ilustrou-o com um diagrama (aqui incluído) e entrevistou um biólogo da UPS, para dar a devida repercussão da descoberta.

Para a revista, " a experiência dos pesquisadores alemães, porém, permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica".
O ridículo foi maior porque a revista inglesa deu inúmeras pistas: os biólogos Barry McDonald e William Wimpey tinham esses nomes para lembrar as cadeias internacionais de alimentação McDonald´s e Wimpy´s. A Universidade de Hamburgo, palco do "grande fato", foi citada para que pudesse ser cotejada com " hamburguer" e assim por diante. Mas nada adiantou.
A descoberta do engano foi feita pelo jornal O Estado de S. Paulo que, após esperar inutilmente pelo desmentido, resolveu " botar a boca no mundo" no dia 26 de junho.
O espírito gozador e , mais surpreendente às vezes até irado do brasileiro, no entanto, não deixou por menos. Durante o intervalo entre a matéria da Veja e o desmentido do Estadão, cartas e mais cartas chegaram às redações.
Um delas que, maliciosamente, assinou " X-Burguer, Phd, Capital", lembrava que no Brasil já haviam sido feitas descobertas semelhantes: o jeribá, cruzamento de jabá com jerimum, ou o goiabeijo, cruzamento de gens de goiba, cana-de-açúcar e queijo, e adiantava que seus estudos prosseguiam para criação do Porcojão ou Feijoporco, cruzamento de porcos com feijões que ele esperava dar como contribuição à tradicional feijoada paulista.
Domingos Archangelo escreveu ao Jornal da Tarde uma carta colérica contra a " a violação das leis naturais". Segundo ele, " do alto dos meus 76 anos, não posso ficar calado ante tal afronta às leis divinas. Boi nasceu para pastar, para puxar os saudosos carros do interior e para nos oferecer sua saborosa carne. E tomate, além das notórias qualidades que se lhe imputam na cozinha, serve também para ser arremessado à cabeça de quem perpetra tal montruosidade e, também, dos dão guarida e incentivam tais descobertas".
Francisco Luís Ribeiro, outro leitor da Capital, relata outros cruzamentos, além do boimate, que deram certo e cita experiências para " cruzar pombo-correio com papagaio, para o envio de mensagens faladas".
Finalmente, com o objetivo de pôr fim ao caso que já divertia as redações, a revista publicou, na edição de 6 de julho, ou seja, depois de dois meses, o desmentido: " tratou-se de lastimável equívoco". E justificou-se, explicando que é costume da imprensa inglesa fazer isso no dia 1º de abril e que, desta vez, havia cabido à revista entrar no jogo, exatamente no " seu lado mais desconfortável".

A tradição inglesa e outras barrigas

Através do correspondente inglês Colin Seaward, do Jornal do Brasil, o leitor brasileiro ficou sabendo este ano (1) das novas mentiras veiculadas pelos jornais londrinos, por ocasião do 1º de abril. Desta vez, The Independent, diário que circula em Londres, foi o responsável pelo grande fato.
Segundo o jornal, um lavrador da ilha de Melos, na Grécia, fez a maior descoberta arqueológica do século, encontrando em suas terras os braços da célebre Vênus de Milo, a mais famosa escultura do mundo, presente no Museu do Louvre, em Paris.
O governo francês estaria negociando com o da Grécia o implante – ainda de acordo com The Independente – , após ter sido comprovado que os braços eram autênticos.
Até os anunciantes resolveram pregar suas peças nos leitores. A BMW, fabricante alemã de carros, em anúncio publicado também em The Independent, advertia que cópias da marca fabricadas no Extremo Oriente estavam sendo exportadas para a Inglaterra. Aproveitava para ensinar as formas de se reconhecer a autenticidade do produto. Por exemplo, os pelos dos tapetes dos carros verdadeiros inclinam-se para a direita e os dos falsos, para a esquerda. Mais ainda: o nível de ruído do motor deve ser testado, obedecendo ao ritual dos engenheiros autorizados, na fábrica alemã: o motorista deve sentar-se no carro com o motor ligado e pedir a outra pessoa, a três metros de distância, que grite: " Esel! Du bist reingefallen" (Seu asno! Você caiu na armadilha!)
É evidente que quem soubesse um pouco de alemão, teria grandes chances de descobrir, neste ponto, a brincadeira, mas não são muitos os ingleses que falam o alemão.
A empresa australiana de aviação Qantas não deixou por menos. Em página inteira, anunciava ter inaugurado um vôo direto Londres-Sidney, possível graças a um novo sistema – O Aprist – de reabastecimento em vôo.
O Aprist reabastece, segundo a Qantas, o avião e os passageiros, mediante uma combinação de calhas que fornecem alimentos e bebidas, enquanto o aparelho vai sendo reabastecido.
Mancada maior, no entanto, deu o jornal Notícias Populares, de São Paulo, famoso pelas notícias policiais sensacionalistas e por fechar muito cedo as suas edições diárias.
Quando da agonia do ex-presidente Tancredo Neves, ele explorou à larga o fato, abrindo manchetes garrafais. No dia da morte, o jornal estava ainda em cima do processo de esfriamento do corpo, tema das últimas manchetes.
Na pressa de chegar cedo às bancas, não esperou até à noite para verificar o estado de saúde do presidente (ele tinha estado muito mal o dia todo) e, no dia seguinte, saiu com essa: " Trancredo cada vez mais frio." Foi o único jornal diário que não noticiou a morte do presidente. Foi também a maior " fria" do jornalismo brasileiro.

Notas
(1) O ano referido pelo artigo é de 1987, quando ele foi publicado no jornal Imprensa Brasileira 87.

Observações complementares:
1) Com o avanço da engenharia genética, esta notícia talvez fosse hoje menos sensacional. Os xenotransplantes e a agrobiotecnologia têm gerado resultados não menos surpreendentes; 2) Há quem suspeite de que a redação de o jornal O Estado de S. Paulo tenha forjado pelo menos algumas das cartas por ele publicadas a respeito do caso boimate; 3) Alguns trechos de cartas aqui citadas foram recuperadas da matéria do Estadão sobre a " barriga" da Veja, no dia 26 de junho de 1983 ; 4) As " barrigas" não são exclusividade dos veículos brasileiros e, em nosso país, da revista Veja; 5) Os pesquisadores precisam tomar muito cuidado antes de repercutirem fatos científicos, alardeados pela mídia, porque, embora teoricamente possíveis, podem ser, naquele momento específico , um equívoco. Lembremos do caso da fusão a frio, amplamente noticiada pela mídia mundial , e que se constituía numa fraude. A descrição e a análise deste fato foi objeto de uma interessante dissertação de mestrado, defendida na USP, pelo jornalista, professor e pesquisador Roberto Medeiros.

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OBS: Artigo publicado originalmente na edição especial Imprensa Brasileira 87, comemorativa do Dia da Imprensa, em 10 de setembro de 1987, p.12, publicada pela Comtexto Comunicação e Pesquisa e dedicada totalmente ao Jornalismo Científico.

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*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e de Jornalismo da ECA/USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.


Fonte: Portal do Jornalismo Científico

A "barriga" do JB - 2

JB faz suíte em vez de retratação

Em vez de um pedido de desculpas, o Jornal do Brasil publicou uma nova matéria sobre o caso de atores confundidos com traficantes. A matéria "Atores viram bandidos em página de apologia ao CV" não assume o erro do veículo em publicar uma matéria totalmente baseada em dados do Orkut.

Fonte: Comunique-se

Calcinhas ao Léo (Não confundir com léu)


Quem estudou, estuda ou estudará na FACHA, conheceu, conhece ou conhecerá o Léo. Recentemente, um grupo de alunas decidiu homenagear o cara criando um jornal e um evento mensal, em que são penduradas calcinhas de diversos cortes e tons num varal próximo à faculdade. Saiu até no JB. Ontem foi o Leandro Mazzini, outro ex-aluno, grande figura, que também homenageou o cara, publicando o post abaixo no seu blog reproduzido no mesmo JB.

"Lembro bem daquele dia da formatura em 2001. Um bando de jornalistas prestes a entrar no mercado, lado a lado numa arquibancada. Logo à frente, toda a direção da faculdade e professores de costas para nós, um conhecido publicitário como paraninfo, e lá embaixo, de frente, as famílias e amigos. Um deles, ao meu lado, colocou a máscara do Bin Laden. Uma garrafa de vódka da boa rodava de mão em mão, boca em boca, enquanto os mestres discursavam - e para o espanto de nossos pais. Um cara gritou lá de cima: Viva o Léo! E o Léo, lá do fundo, acenou alegre.

Esse é o assunto. O Léo é um cara que vende cervejas e refri há uns 20 anos na porta da Facha, uma faculdade em Botafogo, no Rio. Figura conhecida, bom papo, boa praça, conquistou principalmente quatro garotas fachistas que acabam de lançar o Calcinhas ao Léo, um jornal em sua homenagem. Contam de tudo. Mexem com a libido. Incomodam os bons modos. Atiçam a liberdade de expressão. Mais uma boa notícia".

Aula de Secretaria Gráfica (Capas de jornais - Mundo)



http://www.newseum.org/todaysfrontpages/default.asp

Barriga de aluguel


Passei o dia fora hoje, mas não poderia deixar de fora essa "barriga" cometida pelo JB. Que pena! vamos ouvir o que o Jornal vai dizer amanhã.
Matéria do JB confunde atores com traficantes
No filme “A Rede”, com Sandra Bullock, a personagem Angela Bennett passa a ser identificada como uma criminosa perigosa graças a uma conspiração de hackers. A vida real fez o mesmo com o ator Luciano Vidigal, mas com um enredo menos criativo. Ele e outros atores do filme “Cidade dos Homens” apareceram na primeira página do Jornal do Brasil desta terça-feira como traficantes. A foto usada foi tirada durante as filmagens que contam a história de dois amigos em uma comunidade carioca dominada pelo tráfico.
“Estamos tranqüilos porque todo mundo aqui nos conhece e sabe que somos artistas. Nossa preocupação é outra história”, declarou o ator Guti Fraga, fundador e diretor geral da ONG Grupo Nós do Morro, que declarou estar preocupado com uma retratação do veículo. “Nós estamos preocupados que essa retratação saia no mesmo lugar que a foto”, opinou.

A reportagem tentou conversar com alguém do JB no fim da tarde. Naquele momento a informação era de que os diretores discutiam como seria a retratação e apuravam como a foto chegou ao jornal. A redação tentou insistentemente falar com a diretora Ana Carvalho ou com um dos profissionais responsáveis pela matéria, mas ninguém foi encontrado. Diversos profissionais procurados explicaram que não poderiam se pronunciar pelo assunto, mas que o JB daria uma resposta na edição desta quarta-feira.

Cena
Durante a manhã, Luciano Vidigal ia para o médico quando notou uma foto de uma matéria envolvendo o cantor Zeca Pagodinho em outro jornal. Após ler a chamada, o ator olhou para cima e viu ele mesmo em uma matéria com o título “Tráfico exibe poder de fogo pelo Orkut” e uma chamada afirmando “Todas as facções criminosas usam o Orkut para exibir armamentos poderosos” e relacionando ao fato da Polícia Militar deixar a Vila Cruzeiro sem prender nenhum chefão do tráfico.

“A foto não é da produtora, mas da filmagem. Não é de divulgação. Nesse dia havia alguns jornalistas no set”, revelou Paulo Morelli, da O2 Filmes, responsável pela película. O produtor ressaltou que a empresa ainda tenta localizar o profissional que tirou a foto.

A imagem pode ser encontrada nos perfis "CVRL até a morte" e "Comando é CV". A matéria fala ainda de "Bráulio da alta" e usa uma foto de "D'menor", mas não justifica, em nenhum momento, quais evidências possui de que se tratam de traficantes além do site de relacionamentos, que possui inúmeros perfis falsos, conhecidos como fakes.

Ator“Vi o título e desabei. Trabalho há 17 anos e estou em cartaz com um filme. Sou artista, gosto do meu País e defendo ele com a arte. A gente acredita na arte”, desabafou o ator que considerou a situação “desumana”.

Luciano é citado em vários sites como o Internet Movie Data Base (IMDB) e o Porta Curtas. Uma foto sua é a quarta opção encontrada na busca de imagens do Google e ele trabalhou em filmes como "Proibido Proibir" (em cartaz) e em um episódio de “A Diarista”.

Fonte: Comunique-se (Tiago Cordeiro)

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Você já ouviu falar do Ex?



Como já disse aqui em outra ocasião, meus alunos estão desenvolvendo blogs para a elaboração de trabalhos das minhas matérias. Um deles é sobre "Mídia alternativa", que está cada vez melhor e informativo. Desafiei o grupo a fazer uma pesquisa sobre o "Ex", um dos meus jornais preferidos. Hoje eles botaram um belo post no ar. Vale a pena conferir.

http://midiaalternativabypc.blogspot.com/

Joaquim deu hoje


A nota saiu hoje na coluna "Boa Gente", do Joaquim Ferreira dos Santos, no Globo. A história sobre o assassinato do irmão de Nelson Rodrigues numa redação de jornal é incrível. Foi contada no livro do Ruy Castro sobre o autor de "Vestido de noiva" entre muitas outras obras. É bom ficar de olho na programação. Sem preconceitos tolos.

Deu no Jornal


Fonte: O Globo

Jornal Laboratório de volta


A primeira edição de 2007 do Jornal Laboratório já está na gráfica. Os jornais deverão ser distribuídos na quarta ou na quinta-feira. E já começamos a preparar a próxima edição. Quem quiser participar, é só falar comigo ou com o professor Affonso Araújo.

Veja, a revista que se perdeu



VEJA
A revista que se perdeu
Lúcio Flávio Pinto

Era impossível enfrentar Veja naquele final da década de 1960, quando a revista surgiu, comandada por Mino Carta. Em entrevistas coletivas, por exemplo, o repórter de Veja apenas acompanhava a cena, enquanto nos digladiávamos para tirar do personagem informações que ele não tinha ou não queria fornecer. Encerrada a coletiva, o entrevistado ia dar uma exclusiva ao repórter de Veja, sem se preocupar em melindrar os pobres trabalhadores das letras, deixados ao relento. O prestígio da revista então era semelhante ao do repórter da Rede Globo, guardadas as diferenças de fundo (e que fundo!).

Depois passei a freqüentar a redação de Veja, como parte da equipe de Raimundo Rodrigues Pereira na edição especial de Realidade sobre a Amazônia e, em seguida, como correspondente da revista em Belém. Tinha grandes amigos e excelentes mestres. Perdi a pista de alguns deles que me eram muito caros, como Maurício Benassato (que depois foi agitar a Gazeta Mercantil e em seguida sumiu). Outros continuaram como referências, mesmo quando discordávamos, o que era freqüente.

Com todos os exageros e abusos dos seus yuppies e dândis, Veja mereceu o respeito que teve durante boa parte da sua história. A informação era apurada com rigor, os textos eram escritos com cuidado, as pautas eram brilhantes e os editores sabiam o que faziam. O produto que ia para as prateleiras das suas páginas tinha o melhor valor de mercado em cada momento de apresentação da revista. Sujeita ao banzo da época, subindo e descendo conforme a pressão, Veja era uma referência, uma leitura obrigatória.

Caminho marcado

Essa Veja, porém, não existe mais. Mesmo quando ela apura suas matérias com aplicação e competência, ao dar-lhes forma as distorce ou traveste com uma linguagem de rinha de briga de galo. O que aprendemos a admirar naqueles primeiros tempos de convivência com repórteres da revista era o que resultava dessa apuração: um texto elegante, que não abdicava do principal, a informação correta. Hoje a linguagem é um desvario, na qual tudo é permitido, da grosseria ao humor de maus bofes.

As matérias publicadas recentemente sobre Jader Barbalho e Ana Júlia Carepa abrigam informações que precisam ser consideradas, porque são verdadeiras. Mas a forma nega o conteúdo. A forma é acessória, mas quando quem a elabora lhe concede o primeiro plano, compromete a credibilidade da revista junto ao seu leitor, ainda quando a publicação tenha razão. É impossível, sem deixar de considerar a razão, e até mesmo dando-lhe prioridade, não deixar de perguntar a que interesses da revista serve essa razão.

Jogando fora padrões e princípios que lhe deram a excepcional perenidade que alcançou, Veja provoca a desconfiança do leitor. Seria como se aparecesse com pérolas nas mãos uma pessoa metida na lama entre os porcos. Pode-se pensar que essas pérolas não são de quem as carrega, mas que foram roubadas. Ou são falsas. Veja, infelizmente, parece que desceu a essa condição, talvez derrubada do seu pedestal pelas trapalhadas e circunstâncias da Editora Abril. Não será assim que a empresa irá se recuperar. Será exatamente assim que uma revista importante desaparecerá, se continuar assim.
Reproduzido do Jornal Pessoal nº 390, 2ª quinzena de abril/2007

Imprensa nova nas bancas - de São Paulo, por enquanto


Já disse e repito: não gosto da diagramação, mas costuma ter matérias interessantes. Estudante de Jornalismo e professores têm que ler.

sábado, 12 de maio de 2007

João Moreira Salles dá palestra sobre Jornalismo Literário. E é grátis!


No próximo dia 16 de maio, quarta-feira, às 10h, o Programa de Educação Tutorial (PET) da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) promove palestra com o cineasta João Moreira Salles no auditório do CFCH, às 10h. O tema será "Jornalismo Literário". A entrada é franca.
Local: UFRJ - campus da Praia Vermelha, Av. Pasteur, 250 - fundos - Auditório do CFCH. Ao lado do Instituto Philippe Pinel, Canecão e Shopping Rio Sul. Em frente ao Iate Clube do Brasil.

O João é botafoguense e gente boa. E criou a piauí. E quem mandou a dica foi o Gustavo Barreto.

E ainda tem gente que... deixa isso pra lá, vem pra cá o que que tem, eu não estou fazendo nada você também...


A matéria que fala do "Web 2.0... The Machine is Us/ing Us" foi publicada na Veja, que, quando não está deturpando assuntos políticos e publicando aquelas besteiras do Mainardi e do Reynaldo Azevedo, até dá pra dar uma espiadinha. Destaco na matéria "Na língua de Camões" a frase:
" (...) os estudantes se ressentem da falta de público leitor para suas criações. Desanimam ao escrever algo que será lido apenas por um professor".
Embora a matéria fale mais diretamente sobre estudantes colegiais, se adapta ao nosso povo universitário também. Tentei fazer algo parecido, mas... deixa pra lá.

Diz ainda que:
"(...) a autoria na web dá mais motivação ao aluno porque traz visibilidade imensa e cria uma competição saudável entre os estudantes".

Estou fazendo isso nesse semestre, ao incentivar meus alunos a produzirem blogs na criação de seus trabalhos.

Lide nova na praça. E tome sincronia!


Saiu a revista Lide, do Sindicato dos Jornalistas do Rio. Leio sempre. Querem conhecer um fato curioso? Nos post abaixo escrevi sobre "Sincronia" e a matéria de capa da Lide é justamente sobre "Jornais populares". Sabem quem é o entrevistado da página 12 do Jornal Laboratório da FACHA que sai semana que vem? Bruno Thys, editor do Extra.

Matando a cobra e mostrando o pau



Amigos
A partir de hoje vou publicar algumas reportagens que realizei ao longo da vida (do lado esquerdo do peito, digo, da página). Começo com algumas mais recentes, publicadas no Jornal da Vale, que editei durante dois anos. Tempo suficiente para ganhar mais um dos 14 prêmios que ganhei da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). Vixe! Os que me chamam de "pavão" vão se deliciar. Mas eu ganhei, pô!
Para ilustrar essa novidade, e aproveitando que dei uma pesquisada em antigas edições do Jornal da Vale, destaco acima duas matérias feitas pela minha ex e brilhante aluna Cláudia Manhães (que sabe tudo do idioma de Machado) sobre a "sincronia".

A idéia de fazer uma matéria sobre o "Deu branco" surgiu durante uma aula minha, há alguns anos. Um aluno disse que queria sugerir três pautas para a realização de um trabalho. Sugeriu duas; esqueceu a terceira. Disse: "Ih, professor: deu branco!". "Gostei dessa", eu respondi. E ele: "Como assim? esqueci. Deu branco mesmo!". "Então, é essa a matéria: Deu branco", respondi de novo. Foi a primeira vez que vi essa matéria ser publicada. Depois saiu no extinto caderno da "Família", de O Globo, no Jornal da Vale e na revista Você. O curioso é que saiu quase que simultâneamente no Jornal da Vale e na revista Você.

Se é bom, é Benevides



Meu amigo e professor da FACHA Ricardo Benevides é gente da melhor qualidade, apesar de ser flameguista e de não admitir que ganhou um título roubado no domingo passado. Está lançando mais dois livros para crianças e merece força e divulgação.
Eis.
Bene: se vender mais de 1 milhão de exemplares, quero comissão.

"Caros amigos,
Dois novos livros na praça! Surgiu a possibilidade de lançá-los ao mesmo tempo (ou quase) no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens. Então, anotem aí:

Dia 26/5 (sábado), lanço "Zero à Esquerda" (Editora Atual), com ilustrações de Kipper, às 16 horas.

Dia 2/6 (sábado seguinte), eu e meu caro amigo Leo Cunha lançamos
"Era uma vez um reino sonolento" (Editora Record), com ilustrações do craque André Neves, às 17 horas.

O local: Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, Jardins do Museu de Arte Moderna (Av. Infante Dom Henrique, 85).

Estão todos convidados, tanto quanto seus filhos, netos, sobrinhos, irmãos ou crianças de rua capturadas para acompanhá-los no evento.

Carinho enorme por vocês,

Ricardo (Bene)vides"

Ps.: A programação completa do evento pode ser encontrada em http://www.fnlij.org.br/salao/index.asp

Canal da Imprensa

Márcia Alonso me manda a dica sobre o Canal da Imprensa.

O que é o Canal da Imprensa ?
Canal da Imprensa é a revista eletrônica de crítica de mídia do curso de Comunicação Social do Unasp - Centro Universitário Adventista de São Paulo, Campus Engenheiro Coelho.

De natureza temática e com periodicidade quinzenal, a revista é um espaço reservado aos alunos de Comunicação Social, contando, inclusive, com a supervisão de professores e colaboração de profissionais da imprensa.

A revista Canal da Imprensa está sob coordenação do professor Allan Novaes, tendo como editor-assistente o aluno do terceiro ano de Jornalismo Tales Tomaz. O jornalista Wendel Lima atua como ombudsman da revista, supervisionando a produção dos articulistas e repórteres.

Como surgiu?

A revista eletrônica Canal da Imprensa foi idealizada pelo professor Ruben Dargã Holdorf e concebida pelos alunos do segundo ano de Comunicação do Unasp, em meados de 2001. Após um ano em experimentação, somente em 21 de agosto de 2002 seu primeiro número conquistou as páginas da internet.

Em 2005, o Canal modernizou seu espaço visual e redefiniu sua proposta editorial. Sob a liderança do Observatório da Imprensa, Monitor de Mídia e SOS Imprensa, o Canal participou da criação da Rede Nacional de Observatórios de Imprensa na universidade (Renoi) e agora atua não apenas analisando criticamente a mídia, mas também promovendo a implantação de projetos de mesma natureza em outras instituições de ensino superior.

Quais são seus objetivos?

Sua linha editorial orienta os articulistas a analisar e criticar o papel da mídia brasileira e internacional. Suas abordagens não permitem o proselitismo religioso nem a propaganda política.

Em sua análise da mídia, Canal da Imprensa assume o compromisso de lutar pelos direitos de expressão e consciência, assegurados pela Constituição Brasileira de 1988, sem esquecer-se, contudo, da responsabilidade social e ética que deve reger a produção jornalística e editorial dos meios de comunicação.

O Canal da Imprensa acredita que a mídia deve prestar contas à sociedade de tudo aquilo que divulga, veicula ou publica, e que por esse motivo o conteúdo desta revista eletrônica serve como um observatório que 1) critica o conteúdo e a produção jornalística da mídia no Brasil e no exterior; 2) aponta investidas abusivas ou desrespeitosas da mídia sobre a opinião pública e a manutenção da cidadania; 3) analisa tendências dos meios de comunicação em sua função informativa, comercial e ideológica, sem esquivar-se de identificar suas causas e até antecipar possíveis efeitos sobre a sociedade.

Quer saber mais?
http://www.canaldaimprensa.com.br/somos.htm

FGV promove curso sobre Jornalismo Investigativo. E de graça!

NOVOS CAMINHOS DO JORNALISMO INVESTIGATIVO EM DEBATE
O CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da Fundação Getulio Vargas, que se destaca como importante centro de pesquisa, promove dia 29 de maio, na sede da FGV (Praia de Botafogo, 190 – 10º andar – auditório Eugênio Gudin) o seminário Os Novos Caminhos do Jornalismo Investigativo. A proposta do encontro, que tem a coordenação do jornalista Fernando Molica, é discutir as perspectivas a partir das novas técnicas de apuração, as dificuldades de obtenção de informações públicas e o papel da imprensa na história contemporânea do Brasil e os seus limites legais.

O seminário, que vai reunir profissionais como Angelina Nunes e Chico Otávio (O Globo), João Antônio Barros (O Dia) e Mário Magalhães (Folha de S. Paulo), será dividido em quatro módulos: O jornalismo de precisão e as novas técnicas de apuração, o uso da internet e das ferramentas oferecidas por programas de computadores; A investigação em governos e na polícia – a dificuldade para acesso aos dados oficiais; limites legais para a investigação jornalística, os processos contra jornais e repórteres; e o jornalismo investigativo e a história recente do país.
Inscrições grátis por meio do endereço: www.cpdoc.fgv.br/jornalismoinvestigativo. Vagas limitadas.
Serviço
Seminário Novos Caminhos do Jornalismo Investigativo
Data: 29/05/2007 (terça-feira)
Horário: 9h30 às 18h

Local: Auditório Eugênio Gudin - FGV – Praia de Botafogo, 190 / 10º andar – Botafogo - RJ

Revista Realidade é tema de livro


Saiu no caderno "Prosa e Verso" de O Globo uma nota sobre o livro "Leituras da revista Realidade - 1966-1968", de Letícia Nunes de Moraes. Não sei se é bom. Mas como o tema me interessa, já encomendei. Volto ao assunto.

Impressões de um periódico pioneiro
A contribuição e participação do leitor na revista Realidade

Criada em abril de 1966, a revista Realidade marcou época no jornalismo brasileiro. Inspirada no conceito norte-americano de new journalism e com reportagens ousadas em sua forma e conteúdo, obteve sucesso imediato, mesmo em um país sem grande tradição de leitura como o Brasil. Enfrentou tabus, cobriu guerras e abordou questões sociais até então pouco discutidas por outros veículos de mídia e pela própria sociedade. Ao mesmo tempo impulsionada e influenciada pelas manifestações políticas e de contracultura do fim da década de 60, a revista também sofreu com a repressão da ditadura militar que na época se consolidava no Brasil.

Em Leituras da revista Realidade, Letícia Nunes de Moraes se debruça sobre o relacionamento da publicação com os leitores, a forma como estes reagiam às matérias veiculadas - em sua maioria de grande impacto, e não raro, escandalizando certos setores da sociedade. A participação do leitor é evidenciada pelas mais de 700 cartas analisadas pela autora, todas elas datadas da primeira (e mais importante) fase da revista, que vai de seu surgimento em abril de 1966 até a instituição do AI-5 pela ditadura militar em dezembro de 1968.

Haveria espaço hoje para periódicos nos moldes da Realidade? Quais são os rumos do jornalismo hoje tal como ele se encontra? Estas e outras são apenas algumas das diversas reflexões que a obra desperta no leitor, além de ajudar entender como e o quê tinha essa revista para que edições com tiragens de 200 mil exemplares se esgotassem em apenas três dias.

Sobre a autora: Letícia Nunes de Moraes é formada em Jornalismo pela PUC-SP e em História pela USP.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Dines e o futuro do Jornalismo impresso

LIÇÕES CONTEMPORÂNEAS
O futuro do jornalismo impresso
Alberto Dines

A melhor homenagem que se pode prestar a Octavio Frias de Oliveira, neste momento, é começar a discutir o futuro do jornalismo impresso em nosso país.

A contribuição de Frias foi decisiva em 1975, quando a imprensa estava paralisada pela censura e pela autocensura. Ao encampar a tese de Cláudio Abramo de que a distensão política só ocorreria quando os interlocutores perdessem o medo e começassem a falar, deu um passo decisivo em direção da valorização da opinião, do conteúdo e da substância jornalísticas.

Trinta e dois anos depois evidencia-se novamente a necessidade de pegar carona na conjuntura com uma visão mais afirmativa: chegou a hora de discutir o jornalismo impresso sem se importar com o que vai ocorrer nos próximos 32 anos.

Essa lengalenga apocalíptica do fim da imprensa e sua transferência imediata para a virtualidade da internet revela um desconhecimento dos desdobramentos e acomodações do processo histórico. Convém àqueles que não estão interessados em desenvolver os fundamentos originais do jornalismo – mantidos com muita vitalidade e criatividade nas mais importantes publicações do mundo. O jornalismo impresso não foi afetado pelas diferenças idiomáticas e culturais, seus traços essenciais podem ser identificados nos quatro cantos do mundo, testados diariamente nas mais dramáticas circunstâncias.

Os defensores do corte abrupto são na verdade defensores do fim da história, agentes da política de terra arrasada e do voluntarismo tipo "depois de mim, o dilúvio".

Matriz de inovação

O jornalismo impresso não acabou, está aí, vivo, estruturado e com uma capacidade inesgotável de produzir inovações. Suas desvantagens – quando comparado com a internet (ou à TV pela internet) – são ao mesmo tempo excelentes oportunidades para o exercício do "jornalismo transcendental" mencionado por Bernard-Henry Levy.

A internet, por enquanto, é um sistema de comunicação, formidável arsenal de recursos tecnológicos de busca, transmissão e armazenagem de dados. Não conseguiu produzir um modelo narrativo diferenciado. É uma forma de participação à procura de uma gramática.

Significa que o jornalismo ponto com ainda não existe. Por enquanto, é uma réplica virtual e, de certa forma, improvisada do jornalismo standard, cujos paradigmas vêm sendo consolidados ao longo de 400 anos de trepidações e mudanças.

Algumas gerações de profissionais ainda precisarão percorrer os velhos caminhos do jornalismo tradicional, organizado e orgânico. Algumas gerações de leitores ainda necessitarão do periodismo, aquele breve intervalo entre edições capaz de permitir a sedimentação dos fatos e a compreensão exata dos acontecimentos.

O jornalismo impresso é uma matriz de inovações, ponte entre fases históricas. Ignorar suas enormes possibilidades é um salto no escuro. E um enorme desperdício.

Fonte: Observatório da Imprensa

Dica do blog

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Eu já saí na Playboy


E já que falamos abaixo no livro "Bomba no Riocentro", lembrei que na época da publicação do livro, eu saí na Playboy. Mas não foi pelado; para tristeza da minha multidão de fãs (não confundir com "fãos"). É que na hora de escrever uma "condensação" sobre o livro, o escritor Ruy Castro decidiu destacar justamente o bonitão que escreve essas mal traçadas para iniciar o texto. Deve ter visto a minha foto e simpatizado com o meu charme, carisma e humildade.

Blog novo na praça

Minha aluna Danúbia Almeida acaba de criar o seu blog. Fui lá visitar, claro. E fiquei todo bobo com o simpático post que ela escreveu iniciando os trabalhos.
Boa sorte, Danúbia. E grato pela gentileza. Seja bem-vindo ao mundo dos blogueiros. Vida longa. E como diria Vinícius de Moraes: "Saravá!".

E TUDO COMEÇOU!
Hoje dou início ao meu trabalho jornalístico, ou quase, que irá tratar da área voltada para o jornalismo de crime, afinal é onde eu me afino.
Dedico esse trabalho ao meu professor PC Guimarães, que me incentivou o iniciá-lo, ao jornalista Jorge Barros, que me inspira e ao meu marido e minha mãe, que me aceitam e apoiam.


http://danubialmeida.blogspot.com/

Bomba no Riocentro - E eu estou no livro




Mexendo nos meus alafarrábios, achei o livro da Belisa Ribeiro sobre a "Bomba no Riocentro". O livro foi editado em 1981, à época do atentado; em 1999 foi atualizado e reeditado. Euzinho estou nele. Já fui bom nesse treco de Reportagem! Viram. Comigo é assim: mato a cobra e mostro o pau. Gostaram?